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terça-feira, 19 de abril de 2011

O DISTRITO DE SÍTIO DOS NUNES

José Ozildo dos Santos
Rosélia Maria de Sousa Santos


O
 DISTRITO DE SÍTIO DOS NUNES pertence ao município de Flores, que está localizado na parte setentrional da microrregião Pajeú, Estado de Pernambuco. O referido distrito, que se encontra ao longo da rodovia federal BR 232, num ponto dado pelas coordenadas 8º 2’ 52” S e 37º 0’ 6” W, onde se cruzam a mencionada rodovia federal as PEs  340 e 227.

Foto 1 - Aspectos gerais da localidade

Foto 2 - Aspectos gerais da localidade

As origens históricas do povoado, núcleo inicial do atual distrito de Sítio dos Nunes, remontam ao século XIX, quando ali se fundou uma fazenda de gado e se construiu uma pequena capela. No entanto, o Distrito de Sítio dos Nunes somente foi criado pela Lei Municipal nº 50, aos 30 de maio de 1953.

                                3 - Aspectos gerais da localidade

4 - Aspectos gerais da localidade

À semelhança de todo o município de Flores, o território que forma o Distrito de Sítio dos Nunes é coberto, basicamente, por uma vegetação do tipo Caatinga Hiperxerófila com trechos de Floresta Caducifólia. Na Serra do Tamboril, localizada cerca de 9 Km da referida sede distrital, é possível encontrar uma densa mata nativa, onde existem exemplares de catingueira e mandacaru, com alturas superiores a 15 m. Tal vegetação, integra uma área de preservação ambiental, reservada num assentamento rural ali instalado.

                            5 - Aspectos gerais da localidade

6 - Escola Municipal Dr. Paulo Pessoa Guerra

O clima da região é do tipo Tropical Semi-Árido, com chuvas de verão. As maiores intensidade de chuvas são registrada no período de abril a maio, sendo que a precipitação média anual é de aproximadamente 700mm. Com respeitos aos solos, os mesmos são mal drenados, apresentando fertilidade natural média e problemas de sais.

                         Foto 7 - Escolinha Primeiros Passos

Foto 8 - Centro Cultural Nunense

A sede do referido possui quase 100% de suas vias públicas pavimentadas. Ali, a Prefeitura Municipal de Flores mantém uma empresa contrata, que cuida da limpeza pública, recolhendo o lixo urbano diariamente.
A agricultura da região é centrada, especialmente, na produção de milho e feijão. No entanto, cultiva-se também o tomate e algumas frutas, com destaque para a manga, a goiaba e a pinha. A pecuária é representada pelo criatório de bovino, caprinos e ovinos, cujos rebanhos, em números de animais, se apresentam nessa mesma ordem.

           Foto 9 - Escritório local da COMPESA

Foto 10 - Unidade de Saúde da Família

De acordo com dados divulgados pelo IBGE, em 2008, a população do Distrito de Sítio dos Nunes era de 3.454, sendo que 1.560 residiam na sede distrital e 1.894 nas localidades rurais circunvizinhas. No referido distrito, segundo o Departamento de Arrecadação Tributária da Prefeitura Municipal de Flores, existem 776 imóveis (residenciais e comerciais).


Foto 11 - Posto Policial Local (Móvel)

A população da sede distrital é servida por um sistema de abastecimento d’água, administrado pela COMPESA, que ali também mantém um escritório local.
Em termos de infra-estrutura a referida sede também dispõe de praças, matadouro público, posto policial, Unidade de Saúde da Família, Centro Cultural, Creche, Posto dos Correios e Telégrafos, cartório, posto médico-odontológico e biblioteca pública.

                  Foto 12 - Capela Local
Foto 13 - Casa da Pastoral

Em Sítio dos Nunes existem cerca de quarenta pequenos estabelecimentos comerciais e duas pequenas indústrias. A comunidade local é servida por telefones públicos estrategicamente instalados, sendo considerável o número de telefones residenciais e comerciais ali existentes.
                          
                                          Foto 14 - Posto dos Correios

No campo educacional, a localidade sedia duas escolas, sendo que a Escola Municipal de Ensino Fundamental e Médio Dr. Paulo Pessoa Guerra é a mais importante. Em termos culturais, o distrito possui o Centro Cultural Nunes, que é uma organização não-governamental, ligada à Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) e ali mantém uma Biblioteca, que presta uma homenagem ao professor Carlos Borges.
                                   
                                             
              Foto 15 - Assembléia de Deus
Foto 16 - Congregação Cristã do Brasil

O principal acidente orográfico existente no território do Distrito de Sítio dos Nunes é a Serra do Tamboril, que além de sua beleza paisagística, abriga um rico sítio arqueológico, formado unicamente por pinturas: trata-se da Casa de Pedra do Tamboril.

Foto 17 - Casa de Pedra do Tamboril

  Foto 18 - Pinturas rupestres, Casa de Pedra do Tamboril

A mencionada Casa de Pedra encontra-se dentro dos limites traçados para uma área de preservação ambiental, consignada na antiga Fazenda São Gonçalo, que foi desapropriada no início do presente século, para a formação do Assentamento Rural Riacho do Navio II.
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Fotos: Rosélia Santos, setembro/2009.

terça-feira, 29 de março de 2011

O DISTRITO DE FÁTIMA - PERNAMBUCO

ORIGENS E EVOLUÇÃO HISTÓRICA


José Ozildo dos Santos

O
 povoado, núcleo inicial da futura cidade de Fátima, teve início na década de 1930. Na época, Primo Guerra e Dário Gomes convidaram o padre Frederico Maciel, vigário de Carnaíba, para celebrar uma missa na Capela do Sítio Oiti. Após a celebração, o referido sacerdote – que se encontrava na residência de Primo - vendo a planície, que se descortinava em seu redor e reconhecendo a potencialidade agrícola da região, incentivou os presentes para aqui fundarem um povoado, sugestão que foi acatada por todos.

Capela de Nossa Senhora de Fátima

 Primo Guerra e Dário Gomes, que abraçaram a causa, passaram a divulgar a idéia junto aos moradores da região. O padre Frederico, sempre solicito, após autorizado por seu diocesano, benzeu a pedra fundamental para construção da Capela dedicada à Nossa Senhora de Fátima, assinalando, assim, a fundação do povoado.
 Ao redor da referida capela, surgiram as primeiras casas, tendo sido o senhor Primo Guerra o primeiro morador da futura cidade de Fátima. Posteriormente, João Filinto Neto, Zeca Zuza, Antônio de Chico, Luís Silva, Zacarias Barbalho, José Antônio Barbalho, Jose Lôlo, Sérgio Cota e Pedro Estevão, seguindo o exemplo de Primo Guerra, construíram suas casas de morada no nascente povoado, tornando-se seus moradores e contribuindo para o progresso local.

Praça Primo Guerra

 Em pouco tempo, a localidade adquiriu delineamento urbano. Algumas casas de comércio foram instaladas no povoado, que logo cedo tornou-se um ponto de convergência para os moradores da região.
 A fertilidade do solo e a existência de água em abundância foram condições naturais que também favoreceram o desenvolvimento da povoação de Fátima, que no dia 2 de novembro de 1948, realizou a primeira feira, fruto da iniciativa conjunta dos senhores Dário Gomes e Primo Guerra, legítimos fundadores da localidade.
 Naquele mesmo dia, o padre João Amâncio de Araújo Lima, vigário de Flores, celebrou também uma missa na localidade, fato que contribuiu para movimentar a feira e estimular a vinda de muitos moradores dos sítios circunvizinhos. Ainda no final da década de 1940, a florescente povoação de Fátima ganhou uma escola de instrução primária. 

Trecho da Rua Nossa Senhora de Fátima

 O Distrito de Fátima foi criado pela Lei Municipal nº 641, de 18 de fevereiro de 1992. Entre os filhos ilustre de Fátima, podemos citar o Dr. Isaac Pereira, bacharel pela Faculdade de Direito do Recife, ex-secretário de Justiça do Estado e professor catedrático da Universidade Federal de Pernambuco.

Artigo publicado n'O INFORMATO', o primeiro informativo da futura cidade de Fátima, Ano I, nº 1, Distrito de Fátima (Flores-PE), sexta-feira, 21 de janeiro de 2011.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

FLORES – PERNAMBUCO

EVOLUÇÃO HISTÓRICA DO MUNICÍPIO DE FLORES

José Ozildo dos Santos
Rosélia Maria de Sousa Santos


              O desbravamento do território que mais tarde formaria o município de Flores iniciou-se no século XVII. Contudo, a primeira penetração registrada na História, data de meados de 1589, quando, elementos ligados à famosa Casa da Torre, por ordens de Garcia d’Avila, empreenderam uma entrada ao interior do atual Estado de Pernambuco, seguindo o leito do Rio Pajeú, em seu sentido contrário.
             A História não guardou os nomes dos integrantes dessa expedição, nem mesmo de seu comandante. No entanto, a tradição local conta que a referida entrada era composta por uns vinte e tantos colonos, que “seguindo as margens de um rio desconhecido, o Pajeú, chegaram a uma aldeia de índios tapuias, localizada à margem esquerda daquele rio, no lugar hoje denominado Alto das Flores”.
Antiga casa da Câmara - Atual Prefeitura Municipal
              Os elementos brancos que formavam a referida expedição foram todos aprisionados e depois trucidados, por ordem do guerreiro Aruan, chefe local. A tradição local também registra que na oportunidade, salvaram-se apenas duas meninas, “que os índios começaram a adorar como divindades, tal suas belezas, que deram-lhe os nomes de Aracê a mais velha e Moema a mais moça. Aquelas meninas ficaram sobe a proteção dos guerreiros mais fortes que receavam que fossem capturadas por outros silvícolas”.
              Em 1603, uma segunda expedição chegou à região e encontrou os tapuias locais já “meios civilizados”, certamente, pelo contato com as duas meninas. Os portugueses e os mamelucos, que formavam essa segunda expedição, chefiados por Simeão Pereira Garrinho, entenderam-se com os aborígines e ali deram início a fundação de um arraial, construindo algumas habitações para acomodamento da tropa. O local escolhido para a fundação do arraial foi a margem direita do rio Pajeú.
Igreja Matriz Nossa senhora da Conceição, construída em 1801 
              O aglomerado humano, aos poucos, foi ganhando importância e mais tarde, recebeu a denominação de “Povoação de Flores”, numa alusão ao cultivo de flores ali praticado pelas irmãs Aracê e Moema. Entretanto, embora aceita pela tradição local, essa versão não possui confirmação histórica.
               Durante os séculos XVII e XVIII inúmeras sesmarias foram concedidas no território da antiga “Povoação das Flores”, que se estendia do atual município de Brejinho, nos limites com Teixeira, na Paraíba, até a povoação de Cabrobó. Nos primeiros anos do século XVII, a povoação de Flores já apresentava um certo delineamento urbano, sediava a Missão de Santo Antonio de Pajé e possuía uma imponente capela dedicada à Nossa Senhora do Rosário, mantida por uma irmandade de homens de cor.
Antiga casa do Coronel Basílio Quidute, no sitio Flores
               Em 1749, Francisco Dias d Ávila, senhor da Casa da Torre, doou as terras necessárias para a formação do patrimônio da futura freguesia da povoação de Flores, que somente foi criada em 11 de setembro de 1783, por provisão assinada por Dom Tomás da Encarnação Costa Lima, sob a invocação de Nossa Senhora da Conceição.
              A histórica Freguesia de Nossa Senhora da Conceição da povoação de Pajeú de Flores, no alto sertão pernambucano, teve seu território desmembrado da Matriz de Cabrobó. Sua instalação ocorreu no final de 1783, oportunidade em que o padre João de Sant’Ana Rocha foi empossado como seu primeiro vigário. A antiga capela de Nossa Senhora do Rosário, por ser a mais bem equipada da localidade, tornou-se sede da novel paróquia, mas continuou sediando a irmandade dos negros.
Aspecto da cidade de Flores na década de 1920
               O referido templo passou por várias reformas, graça à iniciativa e aos esforços do vigário Pedro Manoel da Silva Burgos. Em 1861, foi totalmente remodelado pelo frade capuchinho Serafim de Catânia, que aqui esteve realizando suas santas Missões.
              Da criação da freguesia à instalação da vila, transcorreram 27 anos. Principal núcleo de ocupação humana em todo o sertão do Pajeú, a povoação de Flores foi elevada à condição de município, com a denominação de Pajeú de Flores, através do Alvará de 15 de janeiro de 1810, assinado pelo governador da capitania Caetano Pinto de Miranda Montenegro, tornando-se a primeira vila da região.
Cheia do Rio Pajeú em 1924
              Oficialmente, o município foi instalado no ano seguinte, pelo ouvidor José Marques da Costa. Durante a primeira metade do século XIX, a Vila de Pajeú de Flores gozou do privilégio de ser, desde as nascentes até a foz daquele rio, o centro polarizador das decisões políticas e administrativas.
Cheia do Rio Pajeú em 1924
               A primeira alteração registrada no território de Flores deu-se em 7 de junho de 1836, quando da criação do distrito de Ingazeira, através da lei provincial nº 23. Antes, porém, em sessão do Conselho do Governo da Província de Pernambuco, realizada em 20 de mio de 1833, foi aprovada uma resolução criando a Comarca de Flores, abrangendo os termos de Cabrobó e Tacaratu, que passou a superintender toda essa vastíssima região.
              No entanto, um acontecimento inesperado registrado no início da segunda metade do século XIX, trouxe sérias conseqüências ao município de Flores, determinando sua decadência econômica. Por imposições políticas, o município teve sua sede e comarca, transferidos para a povoação de Serra Talhada, que ficou elevada à categoria de vila, sob a denominação de Vila Bela, enquanto que Flores, foi reduzida à condição de povoado.
Aspecto da cidade de Flores na década de 1920
                 Tais transferências foram determinadas através da Lei Provincial nº 280, de 6 de maio de 1851, assinada pelo Dr. José Ildefonso de Souza Ramos, presidente da Província de Pernambuco. Flores readquiriu seu status de vila e município através da Lei Provincial nº 437, de 26 de maio de 1858.
              O município foi reinstalado no dia 14 de fevereiro do ano seguinte. Posteriormente, a Comarca foi restaurada. No entanto, esse período foi suficiente para que Flores perdesse sua hegemonia na região. A vila de Flores foi elevada à condição de cidade, através da Lei Estadual 991, de 1º de julho de 1909.
              Na divisão administrativa elaborada no ano de 1911, o município aparece constituído por 3 distritos: Flores (Sede), Carnaíba (ex-Carnaíba de Flores) e Colônia de Boa Vista. Tal composição foi mantida na divisão administrativa relativa ao ano de 1933. Contudo, nas divisões territoriais datadas de 31-XII-1936 e 31-XII-1937, o município de Flores aparece constituído de 4 distritos: Flores (sede), Carnaíba, Borborema (ex-Boa Vista de Colônia) e São Serafim. Este último, pelo Decreto-Lei Estadual nº 92, de 31 de março de 1938, passou a denominar-se Calumbi.
Vista parcial da cidade de Flores, na atualidade
                Na década de 1950, foram criados os distritos de Quixaba (lei municipal nº 49, de 30-05-1953) e Sítio dos Nunes (lei municipal nº 50, de 30-05-1953). Em 1953, desmembraram-se de Flores os distritos de Carnaíba e Ibitiranga, para formar o novo município de Carnaíba (lei estadual nº 1819). Cinco anos mais tarde, o distrito de Quixaba foi anexado ao município de Carnaíba (lei estadual nº 3208, 02-09-1958).
             Em 1963, o território de Flores sofreu nova perda. Dele desmembrou-se o distrito de Calumbi, emancipado através da lei estadual nº 4.938, de 20 de dezembro. Atualmente, o município de Flores é formado por três distritos: Flores (sede), Sítio dos Nunes e Fátima. E, é administrado pelo senhor Marconi Martins Santana, que eleito em 2004, logrou reeleição em 2008 e deverá permanecer à frente dos destinos administrativos do município até 2012.





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