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sexta-feira, 23 de setembro de 2011

LITERATURA ALAGOANA

POETAS DAS ALAGOAS

José Ozildo dos Santos


ABREU, Sebastião Rodrigues de. (Maceió-AL, 1883 – ?, 1909). Poeta, autodidata, militou ativamente na imprensa alagoana, redigiu O Madrigal’ (1899) e colaborou na A Miragem’ (1900), ambos de Maceió. Seus versos, compostos entre 1906 e 1909, foram reunidos por Rosália Sandoval e publicados sob o título Angelus: Versos’, Rio de Janeiro, 1951.

ACIÓLI, Creusa de Souza. (Maceió-AL, 1920). Pintora, professora, tradutora, fundadora da primeira escola particular de Inglês em Maceió, integrante do Grupo Literário Alagoano e membro da Academia de Letras e Artes do Nordeste Brasileiro, com sede no Recife, publicou: ‘Temporão’ (poesia e prosa), Maceió, (1995).

ACIÓLI, Inácio de Barros Vasconcelos. (Maceió-AL, 1848 – Recife-PE, 1878). Poeta, dramaturgo e jornalista, “vítima do mal que lhe ancilosou os dedos da mão, se socorria, por vezes, de alguém para escrever-lhe os versos que improvisava. Este mal impediu-o de concluir os estudos preparatórios em Maceió e Recife, para onde tinha ido como protegido de um tio”. Posteriormente, teve paralisia da perna direita e outros sofrimentos que o incapacitou completamente. Retornou à sua terra natal, sob a proteção do presidente da província, que o nomeou para ocupar um cargo na Santa Casa de Misericórdia. Sócio do IAGA e patrono da cadeira 30 da Academia Alagoana de Letras, publicou: Ilusões Perdidas’ (poesia - trovas lamentosas, 1868); A Harpa do Desespero’ (poesia); ‘Glórias e Desventuras ou O Rimador Alagoano’ (cena dramática) e ‘Esperanças Mortas’ (poesia).

ACIÓLI JÚNIOR, Rosalvo. (Maceió-AL, 1955). Poeta, publicou: Maceió’ (poemas, 1987) e Sonhos Imaginários’ (poemas, 1984).

AGUIAR, José da Costa. Poeta, diplomado pela Faculdade de Direito do Recife, na turma de 1928. Em Alagoas, participou da Academia dos Dez Unidos. Publicou: ‘Princesa Vasthi’.

ALBUQUERQUE, Cassiano Rodrigues de. (Porto Calvo-AL, 1888 – Maceió-AL, 1922). Poeta e jornalista, membro fundador da Academia Alagoana de Letras e primeiro ocupante da cadeira nº 20. Embora tenha colaborado em vários jornais da província, publicando poesias e crônicas, não deixou nenhuma obra publicada.

ALBUQUERQUE, Júlio Ferreira de. (Maceió-AL, 1878 – Maceió, 1963). Ordenado sacerdote em novembro de 1907, foi pároco em Pão de Açúcar e Traipu. Coadjutor da Catedral de Maceió, foi professor de Francês no seminário. Sócio fundador da Academia Alagoana de Letras, foi o primeiro ocupante da cadeira 7. Membro da Academia Sergipana de Letras, sócio correspondente do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas e membro da Academia Recifense de Letras, do Cenáculo Pernambucano de Letras e do Centro Cultural Mineiro e da Comissão Alagoana de Folclore, colaborou ativamente na imprensa de seu estado. Publicou: ‘Alma das Catedrais’ (Paris, 1926); À Hora do Angelus’ (Maceió, 1949); Discursos Acadêmicos’, ‘Retalhos d’Alma’ (poesia) e Canto do Cisne’ (poesia), entre outros.

ALBUQUERQUE, Lauro Marques de. (Pão de Açúcar-AL, 1905 - ?) Poeta, usava os pseudônimos Décio Nestal, Nestal e João Vila Baixa, participou da coletânea Pão de Açúcar: Cem Anos de Poesia’.
ALBUQUERQUE, Luís Silva. (Traipu-AL, 1916 - ?). Poeta e magistrado. Membro da Academia de Letras José de Alencar, do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas, pertenceu também ao Instituto Histórico e Geográfico do Paraná e à Central de Letras do Paraná. Publicou: Estrelas Cadentes’ (poesia, 1937); Pedaços de um Coração (poesias, 1939) e ‘Seis Destinos Embalados pelo Amor’ (romance, 1948), entre outros.

ALBUQUERQUE, Mateus de. (Porto Calvo-AL, 1880 – Petrópolis, RJ, 1967). Diplomata, cônsul do Brasil em Cádiz, Espanha, conselheiro comercial na Embaixada do Brasil em Madri. Deixou extensão bibliografia em prosa e verso. Publicou:Visionário’ (poesia, 1908), ‘Crônicas Contemporâneas’ (crônicas, 1913), A Juventude de Anselmo Torres’ (romance, 1923), entre outros. Várias de suas produções poéticas foram traduzidas para o francês pelo poeta Henri Allorge.

ALBUQUERQUE, Ovídio Edgar de. (Viçosa-AL, 1891 – Viçosa, 1955). Poeta e educador. Freqüentou o Seminário de Olinda, de onde saiu para abraçar o magistério. Embora não tenha publicado nenhum livro, deixou esparsas várias produções poéticas, publicadas, principalmente, nas páginas do periódico Albor e Instrução’ e na Coletânea de Poetas Viçosenses’.

ALBUQUERQUE, Severino João Medeiros. (Maceió-AL, 1952). Poeta e professor de Literatura, ganhador do Prêmio de melhor apresentador no Festival de Poesia Falada do Nordeste. Publicou: Exercício: Exercícios’ (1975) e participou da coletânea ‘Poetas Alagoanos’.

ALENCAR, Walfrido. (Marechal Deodoro-AL, ?). Pintor, escritor e poeta. Participou de movimentos culturais em Recife e São Paulo. Durante a VI Bienal de São Paulo, teve o seu Soneto Para o Pintor Esquizofrênico’ incluído no Salão de Pintura Abstrata. Publicou: Pássaro de Vidro: Sonetos’ e ‘Poemas Selecionados’ (1996).

ALEXANDRE, Ronaldo Peixoto. (Murici-AL, 1952) Poeta e servidor público, ocupou cargos no IBAMA e na Agência Nacional de Águas. Em parceria com Salomão Sousa e Will Prado, publicou Esbarros 2: Poesia e Conto’.

ALGARRÃO, Antônio Griziano da Rocha. (Alagoas, ?). Publicou: ‘Miscelânea’ (poesias, 1868), ‘Cantos Patrióticos’ (1870), ‘Recordações e Saudades: Poesias Sentimentais’ (1872).

ALMEIDA, Adelino Nunes de. (Pilar-AL, 1874 - ? 1905). Poeta, engenheiro. Freqüentou o Seminário de Olinda-PE. Sem vocação, deixou os estudos eclesiásticos e transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde diplomou-se me Engenharia. Poeta nato, “entre cálculos e tábuas de logaritmos deixava escapar sonetos”. Entregou-se ao alcoolismo. Doente, retornou à sua terra natal. Mergulhando no mundo da demência, viveu os últimos anos de sua vida. Após a sua morte, o professor João Frederico e o Dr. Tomás de Gusmão, seus conterrâneos, incumbiram o poeta Augusto de Andrade de recolher a sua produção poética, publicada em em jornais de Pilar e Maceió, cujo trabalho resultou na coletânea ‘Versos’, publicado em Salvador (1908).

ALMEIDA, Antônio dito Baixa Funda (Viçosa-AL, 1956) Artista, xilógrafo, pintor e músico, participa de emboladas, como repentista popular. Sua produção artística aparece na obra ‘Xilogravuras Populares Alagoanas’, editada pelo Museu Théo Brandão. Seu ‘Soneto de um Enfermo Internado no Hospital Nossa Senhora da Conceição’, foi inserido na ‘Coletânea de Poetas Viçosenses’, organizada por João Leite Neto.

ALMEIDA, Claúdia Virginia M. Radicada nas Alagoas, seu poema ‘Flores’ foi inserido na ‘Coletânea Alagoana Contos e Poesias’, editada pela Fundação Cultural Cidade de Maceió, em 1998.

ALMEIDA, Georgete Castro de (Viçosa-AL, ?). Diplomada em Línguas Neolatinas pela Faculdade de Ciências e Letras da UFAL, é professora Adjunta de Literatura Portuguesa, na mesma instituição de ensino. Entre suas obras destaca-se ‘Poemas Esparsos’. Seu ‘Poema nº 7’ foi inserido na ‘Coletânea de Poetas Viçosenses’, organizada por João Leite Neto.

domingo, 11 de setembro de 2011

ACARI - RN

A FREGUESIA DE NOSSA SENHORA DA GUIA,
DO ACARI E SEU PRIMEIRO VIGÁRIO

José Ozildo dos Santos

E
m idos de 1725, o sargento-mor Manoel Esteves de Andrade, oriundo da capital paraibana, fixou-se no Acari, após adquirir o sítio ‘Saco dos Pereiros’, por compra feita ao seu parente Nicolau Mendes da Cruz. Sentindo-se só, aquele desbravador (que era solteiro), freqüentemente chamava sua mãe para residir com ele no Seridó. Esta, muito católica, explicava ao filho que somente se deslocaria para aquele sertão inculto, quando existisse nas proximidades de sua fazenda uma capela, onde pudesse professar sua fé cristã.
Assim, em 1736, visando atender ao pedido de sua genitora, Manoel Esteves endereçou uma petição a dom José Fialho, Bispo de Olinda, a cuja diocese era subordinado o território norte-riograndense, solicitando autorização para erigir uma capela, no lugar chamado ‘Acari’, recebendo, no final, a devida:

“Ilustríssimo senhor. Dis o Sargento Mor Manuel Esteves de Andrade morador no districto do curato de Piancó que elle pretende erigir hua capella com a invocação de N. S. da Guia, no lugar xamado Acari districto do dito curato, para o fim de sua alma e dos mais moradores circunvizinhos, por ficarem distantes de sua Matriz oito dias de viagem, para cujo fim tem junto muita pedra, lhe fez a escritura do patrimonio que apresenta em meia legoa de terra que rende todos os annos de arrendamento deis mil reis, os quais aplica p.ª os paramentos, reparação, fabrica da dita capella por tanto pide a vossa Illustrissima lhe faça mercê atendendo ao muito serviço de Deos que se seguirá com a erecção desta capella conceder-lhe licença para apuder erigir, estando de todo acabada, e ornada com os paramentos necessários o seu Reverendo Parocho a possa benzer e nella celebrarem-se os divinos officios e já os moradores daquelle lugar alcansarão licença que apresentão para apuderem erigir por ter sido vossa Illustrissima informado do Reverendo Parocho ser util, em numerario, e receberá mercê. Para provisão para se erigir a capella na forma do estilo. Olinda, onse de Novembro de mil sete centos e trinta e sete estava a firma do Illustrissmo Senhor Bispo. Dom José Fialho por mercê de Deos, e da Sancta e Apostolica Bispo de Pernambuco, e do Concelho de sua Mag.e aq.m Deos goarde e d.a pela presente concedemos licença ao Sargento Mor Manoel Esteves de Andrade, para que possa erigir a capela de N. S. da Guia no lugar xamado Acari do curato de Piancó erecta na forma da nossa constituição dada em Olinda sob nosso signal, e sello aos dose dias do mês de Novembro de mil sete centos e trinta e sete, eu Miguel Alvares Lima escrivão da Câmara Episcopal o escrevi estava a firma do Illustrissimo Senhor bispo sello valla sem sello ex causa seis mil tresentos e vinte. Monteiro Registrada a folhas cento e setenta e nove do Livro trese do Registro Olinda dose de Novembro de mil sete centos e trinta e sete, etc, etc”.

Após receber a autorização, o fundador de Acari retornou ao Seridó e logo tratou de iniciar a construção da capela de Nossa Senhora da Guia, que tornou-se o marco da evolução histórica desta cidade.
Concluindo a capela, Manoel Esteves voltou à presença daquele prelado pernambucano, apresentando-lhe essa segunda petição:

“Diz o Sargento Mor Manoel Esteves de Andrade morador do certão do Acari Freguesia do Piancó donde elle Sup.e tem erecto hua capella invocação N. S. da Guia com provisão de vossa Illustrissima, para effeito de se benser por esta acabada, e ter os paramentos necessários. Só lhe falta provisão pide a vossa Illustrissima seja servido mandar provisão para se benser a dita capella estando na forma da constituição pelo seu Reverendo Parocho, ou sacerdote de sua licença pelos longes do dito lugar e se puder diser nella missa, e os mais divinos officios, e receberá mercê”.

No dia 14 de abril de 1738, dom José Tomás deu o seguinte despacho:  Passe provisão para se benser a capela na forma que se pede tendo ela os requisitos necessarios”. O documento final recebido pelo sargento-mor Manoel Esteves de Andrade tinha o seguinte teor:

“Concedemos licença ao sargento mor Manuel Esteves de Andrade, para que possa erigir a Capela de Nossa Senhora da Guia no lugar chamado Acari do Curato de Piancó, ercta na forma da nossa Constituição”.

No entanto, a ação pioneira do sargento-mor Manoel Esteves de Andrade não parou por aí. Retornando ao Acari, tratou de construir uma casa, ao lado esquerdo da capela, destinada à residência dos futuros párocos e sacristães. Esta casa, considerada a primeira do Acari, resistiu até 1908, quando foi demolida para dá lugar ao moderno Grupo Escolar Tomás de Araújo, onde, anos mais tarde, passou a funcionar a Prefeitura Municipal.

Igrejinha do Rosário, tombada pelo IPHAN

Lamentavelmente, o século XVIII é uma página obscura na história da cidade de Acari. Nada, exceto as sesmarias concedidas na região, até o presente foi divulgado e esta falta de documentos, nos impossibilita de relacionar os sacerdotes que foram capelães nessa localidade seridoense, durante os noventa e sete anos em que a Igreja de Nossa Senhora da Guia, permaneceu reduzida à condição de capela.
Nessa condição, ela integrou a freguesia de Nossa Senhora do Bom Sucesso do Piancó - sediada na atual cidade de Pombal, no alto sertão paraibano - até a criação da freguesia de Nossa Senhora Santana do Seridó, em Caicó, ocorrida a 15 de abril de 1748, em cumprimento as disposições contidas na provisão de 20 de fevereiro do ano anterior, expedida por dom frei Luís de Santa Teresa, à época, bispo de Olinda.
Entre os sacerdotes que passaram pela povoação de Acari, o mais antigo que se tem conhecimento é o padre José da Costa Soares, que a 15 de novembro de 1762 obteve por sesmaria uma data de terra, entre o rio Seridó e o Poço (sítio) da Raposa, na ribeira do Quipauá, no atual município de Santana do Seridó e que em 1776, exercia seu sacerdócio como capelão na próspera povoação, sede da futura freguesia de Nossa Senhora da Guia.
Lentamente, a pacata povoação do Acari foi ganhando importância e delineamento urbano. Em meados de 1832, para ali retornou o padre Tomás Pereira de Araújo, ordenado na capital baiana, aos 17 de março daquele ano.

Padre Tomás Pereira de Araújo

Nascido a 15 de janeiro de 1809, o padre Tomás Pereira foi o primeiro acariense a ser distinguido com o título de sacerdote. Filho do casal Antônio Pereira de Araújo e Maria José Medeiros, pelo lado paterno, era neto de José Damasceno Pereira e Maria dos Santos Medeiros, e, materno, de Tomás de Araújo Pereira (primeiro presidente da província do Rio Grande do Norte) e de Teresa de Jesus.
Seus estudos eclesiásticos foram realizados no Seminário de Nossa Senhora da Graça, sediado em Olinda, província de Pernambuco, onde matriculou-se em 1826. No entanto, como dom João da Purificação Marques Perdigão - bispo de Olinda - encontrava-se ausente de sua diocese, o jovem sacerdote teve que dirigir-se para a cidade de Salvador, onde recebeu a sagrada ordem do presbiterato das mãos do arcebispo dom Romualdo Antônio de Seixas, tendo como companheiro de ordenação, o padre Joaquim Félix de Medeiros, também natural do Seridó potiguar.
Ao retornar ao Acari, aquele sacerdote foi recebido festivamente e após celebrar sua primeira missa na capela de Nossa Senhora da Guia, tornou-se seu capelão, em substituição ao padre Manoel Cassiano Pereira da Costa.
Prestigiado em seu meio, o padre Tomás Pereira ingressou na política e a 10 de novembro de 1834, elegeu-se deputado à primeira legislatura da Assembléia Legislativa Provincial (1835-1837). No exercício de seu primeiro mandato parlamentar, integrou a Comissão de Negócios Eclesiásticos. Por sua iniciativa e empenho, foi criada a Freguesia de Acari, através da Lei Provincial nº 15, de 13 de março de 1835, sob a invocação de Nossa Senhora da Guia, sendo esta a sua primeira conquista como deputado provincial e legítimo representante dos interesses de seus conterrâneos.
No dia 17 daquele mês e ano, por provisão assinada pelo padre Francisco de Brito Guerra - visitador provinciano - foi nomeado vigário encarregado da Freguesia de Acari, cabendo-lhe a missão de instalar aquela nova sede paroquial, a 16 de abril seguinte.
Antes, porém, em janeiro daquele ano de 1835, o padre Tomás Pereira havia sido designado vigário encarregado da freguesia de Nossa Senhora das Mercês, sediada na povoação de Serra de Cuité, província da Paraíba, funções que desempenhou por um ano e que a partir do mês de março, passou a acumular com a regência da Freguesia de Nossa Senhora da Guia, de Acari.
Ainda por sua ação parlamentar, conseguiu a aprovação do projeto, que convertido em Lei, sob o nº 16, de 18 de março de 1835, aprovou a criação da Vila do Acari, instituída dois anos antes, pelo Conselho da Província.

Primitiva Igreja Matriz de Nossa Sra. da Guia,
hoje Igreja do Rosário

Em 1836, o padre Tomás Pereira de Araújo candidatou-se ao cargo de vigário colado da freguesia sob sua regência. Para a instrução do processo de habilitação, sobre sua conduta e modos de vida, atestaram os vereadores da Câmara Municipal do Acari. Em ato contínuo, “o bispo autorizou-o a opor-se por despacho de 26 de janeiro de 1836, propondo-o em primeiro lugar para o Acari, em ofício ao presidente da Província, datado de 13 de julho. O presidente indicou-o em 30 de agosto de 1836. Ainda neste 1836 foi nomeado”.
Como já ocupava a referida freguesia, o padre Tomaz continuou n exercício de suas funções e oficialmente somente foi investido no cargo de vigário colado da freguesia de Nossa Senhora da Guia, aos 18 de maio de 1839, por procuração, oportunidade em que lavrado o seguinte termo:

“Aos 18 de maio de 1839, processa-se a cerimônia de colação na Matriz do Corpo Santo, do Recife, onde o delegado do Bispo, D. Marques Perdigão, fez a imposição do barrete ao diácono Francisco Jorge de Souza, procurador do Pe. Thomaz de Araújo, que, pelo mesmo fez a profissão de fé e juramento... Finalmente mandamos passar a presente em virtude da qual havemos ao dito Padre Thomaz Pereira de Araújo por ‘collado; e confirmado na villa do Acary, deste nosso Bispado na forma do direito e de nossa Constituição, e lhe damos jurisdição ordinária para poder administrar todos os sacramentos aos seus fregueses, aos quais mandamos sob pena imposta pelo Direito o receber como seu verdadeiro parocho”.

Político influente, filiado à hostes do Partido Liberal, o padre Tomás de Araújo retornou à Assembléia Provincial reeleito para as legislaturas de 1838-1839, 1840-1841, 1848-1849 e 1860-1861. Naquela Casa Legislativa, durante as sessões de 1849, foi substituído pelo suplente padre Luís da Fonseca e Silva.
Em agosto de 1864, recebeu em sua paróquia a visita do padre mestre Dr. José Antônio Maria Ibiapina - o apóstolo do Nordeste - que, em peregrinação, ali esteve realizando suas santas missões, fundando uma Casa de Caridade, que teve vida efêmera.

Igreja Matriz de Nossa Senhora da Guia

Sacerdote dedicado, auxiliado por seus paroquianos, no período de 1859 a 1865, construiu a atual Igreja Matriz de Acari, que, à época, custou a importância de cem contos de réis, e, por suas proporções e tamanho, ainda hoje é a segunda maior do interior do Estado.
Na época, a imagem de Nossa Senhora da Guia, encontrava-se guardada na Igreja do Rosário. Sua translação para a nova Matriz, procedeu-se no dia 5 de agosto de 1867, oportunidade em que realizou-se uma magnífica festa, que “prolongou-se até o dia 16 daquele mês, com a presença, calculadamente, de oito mil pessoas, foi mister a construção de ruas de ranchos de palhas pela cidade”, para acomodar os visitante, fato, que durante muito tempo, foi lembrado pelo povo acariense.
À essa grande cerimônia compareceram 19 sacerdotes que não mediram as fadigas de uma jornada tão áspera até o sertão comburido pela inclemência do sol, vencendo óbices, a fim de reverenciarem a Virgem com as solenes cerimônias litúrgicas da benção de uma nova Matriz construída pelo esforço dos paroquianos e devotos das circunvizinhanças, graças à feliz iniciativa do vigário daquela centenária paróquia”.    
Homem culto, o padre Tomás era versado na língua latina e tido como excelente orador sacro. Inicialmente, regeu a Freguesia de Acari de 16 de abril de 16 de abril de 1835 a 4 de junho de 1870, quando foi substituído pelo padre Luís Marinho de Freitas.
De 1870 a 1873, esteve novamente como vigário encarregado da freguesia de Nossa Senhora das Mercês, sediada na vila de Serra do Cuité, no Curimataú paraibano, que à época, limitava-se com a antiga freguesia de Acari. No entanto, a 3 de agosto de 1873, reassumindo sua antiga paróquia, permaneceu como vigário colado de Acari até 2 de maio de 1893, quando doente, afastou-se de suas funções, falecendo no dia 13 de dezembro daquele ano. Em seus últimos momentos foi assistido pelo padre José Antônio da Silva Pinto, que oficiou suas exéquias.
Fugindo dos princípios da Igreja Católica, o padre Tomás Pereira deixou descendência no Seridó. E, espelhado, talvez, no exemplo do padre Francisco de Brito Guerra, em vida, no dia 7 de janeiro de 1869, compareceu perante um tabelião público na vila de Acari e assinando uma escritura de perfilhação, alegando fragilidade humana, reconheceu como seus, os seguintes filhos: Gercina Maria de Jesus, Teodora Maria de Jesus (filhas de Maria Custódia do Amor Divino); Maria Senhoria da Conceição (filha de Joaquina Senhorinha da Conceição); Manoel de Santana, Maria Inácia da Guia e Ana Maria da Guia (filhos de Antônia Maria da Conceição), “frutos de uniões clandestinas, proibidas pela Igreja”, que tornaram-se seus herdeiros e sucessores.
Por esta atitude, foi bastante censurado, dentro e fora da Igreja, fato que obrigou-o afastar-se de sua freguesia, passando a reger interinamente a Matriz de Nossa Senhora das Mercês, da vila de Serra do Cuité. Após promover o reconhecimentos de seus filhos o padre Tomás Pereira de Araújo “ainda viveu 24 anos e, certamente, transpassou-se com a consciência tranqüila por ter confessando publicamente o pecado cometido e, como cidadão, praticado um ato de justiça”.
Conta-se, que na juventude, o padre Tomás fora “um rapaz um pouco endiabrado e incorreu, muitas vezes nas iras do avô que depois de uma dúzia de bolos, trancava-o na cafua, tortura maior que a da palmatória. Quando em 1833 (?) o padre Tomás tirou, em concurso, a freguesia do Acari, o velho Tomás de Araújo, já cego, começou a exigir que o ouvisse de confissão. O padre, relutava, alegando o respeito filial, mas o velho replicava: O senhor como vigário da freguesia, não é meu neto é o meu pastor que tem a obrigação de atender a todos os penitentes que o procurarem. Não houve de evitar a confissão e o padre, lembrado talvez do castigo um tanto desumano, deu ao postulante a penitência de passar meia hora trancado na cafua. Tomás de Araújo cumpriu a pena e, ao sair da cafua, mandou chamar um pedreiro e demoliu-a”.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

NORTERIOGRANDENSES ILUSTRE - V

FELINTO ELÍSIO DE OLIVEIRA AZEVEDO

José Ozildo dos Santos

F
oi uma das maiores expressões políticas do Seridó potiguar. Homem íntegro, dedicado à causa pública, Felinto Elísio nasceu a 29 de novembro de 1852, na Fazenda Sombrio’, município de Jardim do Seridó. Filho do casal Manoel Ildefonso de Oliveira Azevedo e Teresa Florindo de Jesus, pelo lado paterno, era bisneto do Antônio de Azevedo Maio, patriarca da família Azevedo, na região e fundador da fazenda Conceição’, núcleo inicial da cidade de Jardim do Seridó.

Felinto Elísio, na juventude


Iniciou sua carreira política aos dezoito anos de idade, assumindo a chefia do Partido Conservador no município de Jardim do Seridó, em substituição ao seu pai, que transferiu-se para a cidade paraibana de Campina Grande, com porte da família. Eleito membro do Conselho da Intendência (1877-1884), administrou o município de Jardim do Seridó, de 1878 a 1880, em substituição ao Padre João Avelino de Albuquerque Silva.
Prestigiado em seu partido, elegeu-se, deputado provincial por duas legislaturas. E, proclamada a República, assumiu a chefia política do município de Jardim do Seridó, de cuja liderança somente foi destituído pela Revolução de 1930. Membro do Conselho da Intendência Municipal, administrou sua cidade natal, nos períodos de 1894-1896, 1905-1907, 1908- 1910, 1911- 1913 e 1914­-1916, quando passou o cargo ao Dr. Heráclito Pires Fernandes, seu amigo e correligionário.

Felinto Elísio, na velhice

Eleito deputado estadual por várias legislaturas, presidiu a Assembléia Legislativa Estadual e na condição de Vice-Governador, o Coronel Felinto Elísio administrou interinamente o Rio Grande do Norte, por duas vezes. E, até o presente, foi o único filho de Jardim de Seridó a governar seu Estado.
Em sua terra natal, Felinto Elísio ocupou as mais variadas funções públicas. Capitão da antiga Guarda Nacional (02-01-1877), foi distinguido com a patente de Coronel, por decreto datado de 23 de janeiro de 1893, assinado pelo Marechal Floriano Peixoto, Vice-Presidente da República, em exercício.
Homem de grande cultura jurídica, ocupou o cargo de Promotor Público da Comarca de Jardim do Seridó, no período de 1886 a 1890. Registra Antídio de Azevedo, que o Coronel Felinto Elísio quando moço,era tido como um dos rapazes mais elegantes de sua terra” e era um homem que lia multo, tendo um vasto conhecimento na atualidade de então. Tinha uma agradável palestra e de palavras fáceis, porém, gago. Tomou-se, portanto, um homem ilustre, considerado grande sabedor da história política da Província e do Estado”.

Fazenda Sombrio, antiga propriedade de Felinto Elísio, em 1923

Figura das mais ilustres da política norte-riograndense durante a Primeira República, Felinto Elísio foi uma das vítimas da onda de violência, levada a cargo pelo Governo Mário Câmara, no Estado. Em 1935, numa visível demonstração de abuso de autoridade e poder, o delegado Francisco Efraim, a serviço do ódio partidário, invadiu a residência do velho patriarca, na fazenda Sombrio’, espancando-o e prendendo-o, simplesmente pelo de ser um dos opositores ao Governo Estadual, naquele município.
Iniciado o processo de reconstitucionalização do país, filiou-se as hastes do Partido Popular, fundado e dirigido no Estado por José Augusto e, em seu município, contribuiu fortemente para a vitória dos candidatos populares à Assembléia Estadual Constituinte (1935), responsável pela eleição do sucessor do Interventor Mário Câmara.
Durante mais de meio século, o Coronel Felinto Elísio fez política e foi um autêntico representante de seu povo. Em Jardim do Seridó, onde viveu toda a sua vida, possuía grandes laços de amizade e gozava da mais alta estima por parte de seus conterrâneos, que, ouviam sua palavra, acatavam e seguiam seus conselhos. Na condição de homem público, participou como elemento de conselho e decisão de todos fotos relevantes da vida política da tetra potiguar”.
Casado em primeiras núpcias com a senhora Noenísia Amélia Cunha de Azevedo, enviuvando, contraiu novo matrimônio com Verônica Cunha de Azevedo, irmã de sua falecida esposa. De ambas uniões, nasceram 16 filhos.
Administrador probo, realizou em Jardim do Seridó grandes obras, voltadas para o melhoramento das condições de vida de seus munícipes. Herdeiro natural das tradições seridoenses, Felinto Elísio de Oliveira Azevedo faleceu no dia 11 de abril de 1944, aos 92 anos de idade, mas inteiramente lúcido. Seu corpo, acompanhado por uma grande multidão, foi conduzido e sepultado no Cemitério Público de Jardim do Seridó, de cuja cidade, foi um de seus mais ilustres filhos.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

PADRE ASSIS

SANTO E SÁBIO

José Ozildo dos Santos


E
xistem homens que nascem e morrem sem terem a oportunidade ou condições de imprimirem seu nome na história. Outros, por dinamismo, competência, atos e qualidades, destacam-se nos mais variados segmentos da vida humana, projetam-se no futuro e eternizam-se após a morte. A este segundo grupo, pertence o padre Assis, que viveu mais de quarenta anos na cidade de Patos, no sertão paraibano, prestando relevantes serviços como sacerdote, professor e jornalista.
Joaquim de Assis Ferreira nasceu aos 24 de novembro de 1908, na fazenda ‘São João Francisco’, em território atualmente pertencente ao município de Malta, e, que à época, integrava o antigo município de Pombal, no alto sertão paraibano. Foram seus pais Antônio Ferreira Lima e dona Maria Olindina de Assis, ambos agricultores e católicos.
Ainda muito jovem descobriu sua vocação para o sacerdócio. E, após concluir o primário, devidamente autorizado por seus pais, ingressou no tradicional Seminário Arquidiocesano da Paraíba. Ali, cursou o ginasial e o secundário, além de perfazer seus estudos superiores de Teologia e Filosofia. Seminarista, cedo revelou-se portador de uma inteligência extraordinária, recebendo elogios de seus colegas de estudos, professores e do próprio reitor do Seminário.

Padre Assis no início de sua vida sacerdotal

Ordenou-se sacerdote no dia 26 de novembro de 1933, aos 25 anos de idade, em solenidade realizada na Catedral de Cajazeiras, a cuja Diocese pertencia. Sua primeira nomeação eclesiástica foi para ocupar o cargo de vigário da Paróquia de Catolé do Rocha (1934-1935). Zeloso em sua missão, logo tornou-se estimado por seus paroquianos. Educador nato, “realizou elogiável trabalho em favor da juventude daquela comunidade", fundando ali um educandário.
Durante sua permanência naquela cidade, além de ter promovido uma ampla reformação na Igreja Matriz, recebeu em sua paróquia, com grande estilo, a visita do missionário capuchinho Frei Damião de Bonzano, por quem tinha grande apreço e admiração.
Em 1936, após aceitar convite formulado por dom Mota, bispo de Cajazeiras, tornou-se diretor do tradicional Colégio ‘Padre Rolim’, sediado naquela cidade, desenvolvendo um trabalho, que sempre será lembrado na história daquele secular educandário.
No entanto, em meados de 1945, transferiu-se para a cidade de Patos, no Sertão das Espinharas, após ser nomeado inspetor federal de ensino na região, passando a acumular as referidas funções com o exercício de seu sacerdócio. Primeiro reitor do ‘Seminário Mínimo São José’, durante anos foi orientador educacional do ‘Ginásio Diocesano de Patos’, à época, sob a direção do talentoso Padre Vieira.
Filósofo e teólogo de renome, o Padre Assis notabilizou-se como pregador, projetando-se no púlpito como um dos melhores oradores sacros do Nordeste. Famosa é a oração com a qual saudou Nossa Senhora de Fátima, quando de sua passagem pela cidade de Patos, em meados de 1953.
Convidado, pregou em diversos centros religiosos de importância no país. Em Recife, na Basílica do Carmo, numa certa cerimônia litúrgica, impressionou a todos que ouviram seu sermão, proferido numa linguagem simples, mas rica em mensagem e exemplos de fé cristã.
Distinguido com o título de cônego, foi sempre ‘o Padre Assis’, conquistando a admiração do povo patoense, por seus atos e ações. Logo após a criação da Diocese de Patos, foi designado consultor diocesano, diretor diocesano da doutrina cristã, membro do Conselho de Administração Diocesana, confessor extraordinário do Ginásio Cristo Rei, capelão do Hospital Regional e confessor ordinário do Centro de Ação Social ‘Cônego Machado’, por provisões assinadas por dom Expedito Eduardo de Oliveira - primeiro bispo de Patos - e datadas de 15 de agosto de 1959. Entretanto, apesar de suas múltiplas funções, sempre encontrava tempo para auxiliar o vigário da Paróquia de Nossa Senhora da Guia.
Nomeado confessor ordinário do Ginásio Cristo Rei (Provisão nº 5, de 27-01-1961), aos 8 de fevereiro de 1964, o padre Assis tornou-se capelão daquele educandário, onde exerceu o sacerdócio até seus últimos dias de vida. A partir de 29 de fevereiro de 1968, passou a acumular as referidas funções com a direção da Radio Espinharas, “dando-lhe um grande impulso e, efetivamente, cumprindo o slogan de emissora a serviço da moral, da fé e da cultura".

Padre Assis quando diretor da Rádio Espinharas

Naquele veículo de comunicação, por longo período, manteve um programa diário, apresentando crônicas, que numa linguagem escorreita, abordava temas religiosos, sociais, filosóficos e políticos. Mais tarde, algumas de suas crônicas foram reunidas num livro, sob o título ‘Crônicas das 12’, publicado após a sua morte, através da Associação Promocional do Ancião/ASPAN - para cuja instituição deixou os direitos autorais de sua produção literária - com prefácio do jurista Ronald de Queiroz, seu ex-acólito.
Culto e piedoso, o padre Assis construía pelo exemplo e santificava por sua ação verdadeiramente apostólica. Como poucos, possuía uma capacidade de comunicação impressionante, ganhando “prestígio de psicólogo, de uma psicologia ainda tributária da filosofia e da moral”.
Inteligência rara, exímio educador e orador sacro de grande relevo, o padre Assis faleceu no dia 17 de agosto de 1987, aos 79 anos de idade incompletos, no Recife, onde encontrava-se em tratamento médico.
No mesmo dia, seu corpo foi transladado para a cidade de Patos, onde a população, unida pela amizade e caridade cristã, compareceu ao seu velório, que teve início às 22:00 horas, na Catedral de Nossa Senhora da Guia.
Ali, na manhã do dia seguinte, às 8:30 horas, a comunidade diocesana prestou-lhe sua última homenagem, em missa concelebrada por dom Gerardo Andrade Ponte e com a participação de dom Zacarias Rolim (bispo de Cajazeiras) e de vários sacerdotes da Diocese de Patos.
Em seguida, acompanhado de grande número de populares, entidades pastorais e agentes do clero, o corpo do padre Assis foi conduzido para o Cemitério de Santo Antônio, onde foi sepultado em túmulo de sua família, conforme desejo manifestado. Na oportunidade, uma saudação foi feita pelo prefeito Rivaldo de Medeiros, em nome de toda a população patoense.
Como consultor diocesano, o cônego Joaquim de Assis Ferreira foi um excelente colaborador de dom Expedito, de quem era amigo íntimo. Nas reuniões do Conselho Diocesano, “não havia quem não se curvasse diante de suas sábias e prudentes opiniões ou sugestões” .
Num exemplo raro, ele soube ser pessoa e personalidade ao mesmo tempo e como poucos, a todos, sabia indicar o caminho certo a seguir. Certa vez, afirmou: “não alimento a presunção de incluir-me entre orientadores de qualquer categoria, mas nem, por isso, me recuso de, aproveitando oportunidades, dirigir uma palavrinha de incentivo aos moços”.
Conservador, o padre Assis andava sempre de batina, chamando atenção por seu habito. Às vezes, mostrava-se fechado. E, no silêncio de seu quarto, mergulhado em pensamentos, parecia alheio ao mundo ao seu redor. No entanto, como ninguém, sabia conquistar uma amizade e relacionar-se com as pessoas. Esta sua qualidade nata, fazia com que dele todos se aproximassem.
Espírito culto, amante dos clássicos, possuía grandes conhecimentos na língua que imortalizou Cícero e Virgílio, expressando-se majestosamente falando ou escrevendo. Em Patos, por longos anos, foi professor de Latim e como ninguém, “sabia manejar o vernáculo, em construções textuais de fino lavor literário”.
No púlpito e na cátedra, o padre Assis possuía um desempenho brilhante, preservado até o final de sua existência. Em síntese, ele tinha a vocação do intelectual, que fazia de sua cultura um serviço em benefício do próximo. Sacerdote virtuoso e operoso, serviu a boa causa e soube formar a sua personalidade, vivendo seus últimos dias de vida, “envolvendo de bênçãos sacrossantas o quotidiano do homem do sertão”.
Como ser humano, foi a modéstia em pessoa. E, ignorando seus conhecimentos nos mais variados campos do saber, viveu toda a sua existência no interior paraibano, vencendo desafios e ajudando seus conterrâneos a ajudarem-se. Num gesto nobre, dizia aos ouvintes de suas crônicas diárias: “por mim, não haveria um só espinho neste mundo, não se derramaria uma só lágrima, não se ouviria um só gemido”, e “por isso, sempre vou, quando solicitado, ao encontro de todos aqueles, a quem uma dor tortura ou aflige uma tristeza”.
De forma simples e humilde, no final de sua vida, o padre Assis passou a ocupar um modesto cômodo nas dependências do ‘Colégio Cristo Rei’, vivendo sob os cuidados das irmãs do Amor Divino. Ali, era sempre procurado por alunos e pessoas da sociedade patoense, que iam em busca de “suas seguras orientações e excelentes conselhos”.
Na imprensa escrita e radiofônica, o padre Assis teve uma atuação destacada. Lamentavelmente, ainda não é conhecido em sua plenitude, na Paraíba, Estado que lhe serviu por berço. Seu livro ‘Crônica das 12’ (publicado postumamente em 1998), reúne uma pequena parcela de sua produção literária. Ainda resta muito a ser publicado.
Humilde, reconhecia, pela verdade, o que realmente possuía. E, pela justiça, atribuía a si o mal e a Deus, todo o bem. Aqueles que tiveram a felicidade de conhecê-lo e com ele conviver, guardam seus exemplos, seus ensinamentos e suas palavras amigas. Sobre ele, pode-se afirmar que “foi um anjo de pureza e de bondade”, pois nele, “tudo foi grande, porque soube se fazer pequeno demais”.
Homem de gestos nobres, verdadeira “chama ardentíssima de amor a Deus”, o cônego Joaquim de Assis Ferreira sabia conviver com os menos favorecidos, semeando, entre todos, união e fé. Como educador, foi uma luz que guiou e iluminou o caminho de muitos jovens e por “sua vida exemplar e capacidade de compreensão dos humanos, para os céus, padre Assis é um santo”, pois, “em tudo que fez na vida e por onde passou, deixou a marca brilhante da sua santidade.

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