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sábado, 8 de dezembro de 2012

CRISTIANO LAURITZEN: Uma grande vida

José Ozildo dos Santos

N
ascido a 11 de novembro de 1847, na Jutlândia, península da Dinamarca, Cristiano Lauritzen aos 21 anos de idade emigrou para o Brasil e após percorrer a região Nordeste, fixou-se em Campina Grande, onde estabeleceu-se inicialmente como vendedor de joias, em idos de 1880. Naturalizando-se brasileiro, casou-se a 26 de julho de 1883 com Elvira Cavalcanti, filho do Coronel Alexandrino Cavalcanti, rico fazendeiro e comerciante, que durante anos presidiu a Câmara Municipal de Campina Grande. Assim, ligado-se a uma das famílias mais influentes na política campinense, passou “a interessar-se pelos problemas da comuna, vindo a concorrer apaixonadamente para o desenvolvimento da terra a que se ligara”.
Cristiano Lauritzen  

Ingressando na política, recebeu das mãos do Dr. Antônio da Trindade Antunes Meira Henriques, Juiz de Direito e ex-deputado provincial, a chefia do Partido Conservador no município de Campina Grande, em virtude daquele magistrado ter sido removido para a Comarca de Pitimbú. E, com o advento da República, foi nomeado membro e Presidente do Conselho de Intendência, pelo Dr. Venâncio Neiva, primeiro dirigente do Estado da Paraíba.
Permaneceu no referido cargo por pouco mais de um ano. Mas, foi o tempo suficiente para deixar sua marca como administrador. Em Campina Grande, Cristiano Lauritzen realizou “serviços que ainda perduram como a construção do prédio do atual Ginásio ‘Alfredo Dantas’ e a compra do relógio da Matriz, hoje Catedral”.
Em 1891, elegeu-se deputado à Assembleia Estadual Constituinte. No entanto, teve seu mandato parlamentar interrompido com a dissolução da Assembleia, a 13 de janeiro de 1892, por ato da Junta Governativa, instalada no governo logo após a queda de Deodoro da Fonseca e a consequente deposição do primeiro Presidente do Estado da Paraíba. Em 1895, no ostracismo, Cristiano Lauritzen viu-se envolvido no episódio que ficou conhecido na história campinense com o ‘Rasga Vale’, fruto de armação de seus adversários e que abalou toda a cidade. Preso, foi posto em liberdade por ordem de um ‘habeas corpus’.
Fiel aos seus princípios éticos e políticos, após consultar Epitácio Pessoa e Venâncio Neiva, de quem era amigo e correligionário, aceitou o convite formulado pelo senador Álvaro Machado para integrar o Partido Republicano. Assim, foi reconduzido à chefia política do município de Campina Grande, em 1904 e somente foi dela afastado com sua morte, ocorrida em 1923, após mais de três décadas de militância política.
Em 1912, conseguiu eleger seu filho Ernani Lauritzen para a Assembleia Legislativa, que reeleito em sucessivas legislaturas, permaneceu no Parlamento Estadual até 1924, quando renunciou seu mandato para substituí-lo no comando político campinense. Amigo íntimo do senador Epitácio Pessoa, esteve ao lado daquele ilustre paraibano, quando da realização do tumultuado pleito de 1915, que marcou a ascensão do epitacismo e do qual saiu fortalecido na chefia política do município de Campina Grande.

Cristiano Lauritzen e família - 1913 

Graças ao seu prestígio político, Cristiano Lauritzen conseguiu a revisão do contrato de arrendamento entre a Prefeitura de Campina Grande e a Great Western, possibilitando a conclusão dos trabalhos da via férrea de Itabaiana à cidade ‘Rainha da Borborema’, cujo trecho foi inaugurado a 2 de outubro de 1907. Sua atuação como chefe político e prefeito, fez-se presente em todo o município. Assim, na esperança de sanar os problemas enfrentados pela cidade com a falta d’água, conseguiu junto a IFOCS, a construção do Açude de Bodocongó. Em Campina Grande, fundou o ‘Correio de Campina’, periódico noticioso e independente, que circulou de 1911 a 1915 e que teve como colaboradores, figuras como Generino Maciel, João Suassuna, Lino Fernandes, Severino Pimentel, Hortêsio Ribeiro, Elpídio de Almeida e Otávio Amorim, entre outros.
Nome dos mais ilustres da história campinense, Cristiano Lauritzen faleceu a 18 de novembro de 1923, em Campina Grande, cidade que adotou como sua, a qual dedicou mais da metade de sua vida na busca de soluções dos mais variados problemas. Hoje, seu nome encontra-se imortalizando naquela comuna, designado uma via pública e um importante centro comercial.

Um comentário:

  1. Caro Ozildo,

    Um excelente texto do mercador de jóias e ex-prefeito de Campina CHRISTIANO LAURITZEM. Em Campina foi também Presidente do Conselho da Intendência Municipal e grande opositor de IRINEU JÓFFILY. Viajou para a capital da República e conseguiu trazer o trem para sua cidade, sendo esta talvez a sua maior conquista.
    Parabéns.

    Att.

    Rau Ferreira
    Blog HE

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