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quinta-feira, 23 de setembro de 2010

NAPOLEÃO LAUREANO

UM SÍMBOLO NA LUTA CONTRA O CÂNCER NO BRASIL

José Ozildo dos Santos

Napoleão Rodrigues Laureano, foi, indiscutível, um dos mais ilustres paraibanos do século XX. Nascido aos 22 de agosto de 1914, em Natuba, à época, distrito de Umbuzeiro, foram seus pais o tenente Floriano Rodrigues Laureano e dona Teófila Bezerra da Silva. Desde jovem, demonstrou ser possuidor de firmes propósitos e vontade férrea de vencer desafios e obstáculos. Em Umbuzeiro, fez o curso primário, transferindo-se em seguida para Recife, onde matriculou-se no ‘Colégio Félix Barreto’, cursando até o 3º ano do ginasial.
Retornando à Paraíba, fixou-se em João Pessoa, tendo concluído seus estudos básicos no ‘Liceu Paraibano’. Em seguida, ingressou na Faculdade de Medicina do Recife. Dedicado aos estudos, foi discípulo do renomado professor Ageu Magalhães, grande anatomo-patologista pernambucano, diplomando-se em princípios de 1943, obtendo destaque entre seus colegas de turma. Logo em seguida, filiou-se ao Serviço Nacional do Câncer, centralizado no Rio de Janeiro, especializando-se em cirurgia do câncer e em ginecologia.

Napoleão Laureano
Em outubro de 1943, após um curto estágio na Argentina, retornou à Paraíba com o intuito de servir aos seus co-estaduanos. Assim, instalou seu consultório na Rua Barão do Triunfo, nº 474, 1º andar, no centro da cidade de João Pessoa, atendendo nas especialidades de obstetrícia e tratamento cirúrgico das cicatrizes e outros defeitos congênitos ou adquiridos.
Profissional de larga experiência e espírito humano, o Dr. Laureano - como ficou popularmente conhecido - logo tornou-se uns dos médicos mais solicitados da capital paraibana, revelando-se, ao lado do Dr. Asdrúbal Marsiglia de Oliveira, um dos primeiros médicos a dedicar-se ao tratamento do câncer, na Paraíba. Preocupado com o câncer ginecológico, que ceifava milhares de mulheres brasileiras, escreveu um “Tratado Relativo à Aplicação da Mostarda no Combate ao Câncer”.
Homem simples, possuidor de “uma força interior incomensurável” e “despido de qualquer vaidade”, o Dr. Napoleão Laureano teve para com os pobres uma dedicação sincera. Idealista, sobre seu caráter, uma das melhores afirmações nos foi dada pelo Dr. Asdrúbal de Oliveira, que, declarou à imprensa paraibana: “para a vida que levou, o resultado econômico não era problema para ele, jamais deixou de atender um paciente porque não dispunha de recursos. Seu consultório, que eu convivi e freqüentei, atendia 80% dos pacientes, gratuitamente. O seu lado humano, é preciso que se diga, era absolutamente perfeito de bondade, era um homem voltado para o sofrimento humano, sem levar em consideração seus problemas pessoais (...)”.
Quando universitário, no Recife, Napoleão Laureano participou ativamente dos movimentos estudantis contra o Estado Novo, nos últimos anos da ditadura Vargas. Redemocratizado o país, ingressou na política, filiando-se aos quadros da União Democrática Nacional, elegendo-se vereador à Câmara Municipal de João Pessoa, para a legislatura de 1947-1951.
No referido pleito, realizado em janeiro de 1947, obteve 959 votos, sendo o segundo mais votado em seu partido, numa eleição bastante disputada, sendo sido suplantado apenas pelo vereador Cabral Batista, que obteve 974 votos. Por seus méritos, logrou reeleição para a legislatura seguinte.
Na política, o Dr. Laureano revelou-se um líder inconteste. Eleito Vice-Presidente da Mesa Diretora da Câmara Municipal, logo assumiu a presidência, uma vez que o presidente, vereador Miguel Batista, assumiu a Prefeitura da capital, após licenças para tratamento de saúde, concedidas ao prefeito e ao seu vice.
Sentindo os primeiros sintomas da doença, que prematuramente levá-lo-ia ao túmulo, o jovem médico paraibano viajou aos Estados Unidos. Em Nova Iorque, permaneceu por alguns meses tratando-se no ‘Memorial Center Hospital’. E, desenganado pelos especialistas americanos, “ante às precárias condições do combate ao câncer na época”, foi aconselhado a retornar ao Brasil, ciente de que teria, “semanas ou meses de vida”.
Após constatar que era portador de um mal incurável, o Dr. Laureano “aproveitou sua breve existência para traçar um vasto plano de ação em benefício dos cancerosos brasileiros”. E, regressando dos Estados Unidos, permaneceu alguns dias no Recife, vindo à Paraíba antes de empreender sua viagem ao Rio de Janeiro, onde esperava firmar as bases de sua campanha de combate ao câncer.
No aeroporto de Santa Rita, foi recebido por autoridades, jornalistas e milhares de pessoas dos mais variados segmentos sociais. Em João Pessoa, o Dr. Napoleão Laureano lançou a campanha pró-Hospital do Câncer, cujo movimento foi encabeçado pelo jornalista e fotógrafo Rafael Mororó, recebendo o apoio das autoridades estaduais, municipais e do povo em geral, sendo promovida uma intensa propaganda em todo o Estado, através da ‘Rádio Arapuã’.
No dia 15 de março de 1951, embora ausente, o Dr. Laureano foi eleito presidente da Mesa Diretora da Câmara Municipal de João Pessoa, para o biênio 1951/1952. Durante sua curta permanência na capital paraibana, recebeu a visita de destacadas personalidades do mundo social, político e cultural paraibano.
Na oportunidade, o governador José Américo, representando pelo jornalista Juarez Batista, manifestou seu apoio à construção do ‘Hospital do Câncer’, em na capital paraibana. A falta de equipamentos médicos na Paraíba, impossibilitou o jovem médico de fazer uma autodiagnosticação cedo, fato que levou-o a solicitar ao governador a aquisição de um aparelho de radium.
A 16 de março seguinte, o Dr. Napoleão Laureano desembarcou no Rio de Janeiro, num avião da FAB, cedido pelo presidente Vargas. Na antiga capital federal, submeteu-se logo a uma soroterapia especial, seguindo a orientação do cientista húngaro Josef Fiedler. Assinala Luís Hugo Guimarães que “a doença de Laureano ensejou uma luta sem quartel, promovendo uma grande campanha nacional em prol da assistência hospitalar aos cancerosos do Brasil, contribuindo para a fundação do Hospital do Câncer da Paraíba e a criação da Fundação Nacional do Câncer, no Rio de Janeiro”. Assim, “por sua pertinácia na conquista desse desiderato, foi consagrado como o patrono dos cancerosos”.
No dia seguinte à chegada do Dr. Laureano, ao Rio de Janeiro, em sua sede, o ‘Diário Carioca’ realizou uma mesa redonda para discutir o problema do câncer no Brasil. Dela, além de ilustre médico paraibano, participaram os doutores Mário Kroeff, Orlando Machado, Jorge Marsillac, Alberto Coutinho e outros especialistas em Oncologia, além do Ministro da Saúde, do Prefeito daquela capital e de seu Secretário Municipal de Saúde. Na referida reunião, foi criada a ‘Fundação Nacional do Câncer’, sendo, posteriormente eleita a primeira diretoria, que ficou assim constituída: Presidente de Honra: Sra. Darcy Vargas, esposa do Presidente da República e Vice-Presidente de Honra, jornalista Assis Chateaubriand; Presidente Efetivo: Dr. Amadeu Fialho; Tesoureiro: Senador Ruy Carneiro; Secretário: Dr. Jorge Marsillac e Diretor Executivo: Dr. Mário Kroeff.
Criada a ‘Fundação Nacional do Câncer’, intensa campanha visando adquirir fundos e doações foram promovidas pelos organismos da imprensa nacional, obtendo logo bons resultados. Na Paraíba, a Comissão Central pró-construção do Hospital do Câncer - logo denominado ‘Hospital Napoleão Laureano’ - intensificou seus trabalhos, contando com forte apoio da imprensa local, especialmente de algumas emissoras de rádio do Estado, a exemplo da Arapuã (João Pessoa), da Caturité (Campina Grande) e da Espinharas (Patos), divulgadoras da campanha em toda a Paraíba, possibilitando o recolhimento das doações oriundas dos vários setores da sociedade paraibana.
Internado no ‘Hospital Graffe Guinle’, sob os cuidados dos oncologistas Orlando Machado e Antônio Vieira, desde a sua chegada ao Rio de Janeiro, o Dr. Laureano que embora tenha sido submetido a vários tratamentos - inclusive a aplicações de Krebiozen, vindo especialmente dos Estados Unidos para este fim - faleceu às 20:20h do dia 31 de maio de 1951.
Seu corpo foi embalsamado e exposto em câmara ardente, na Igreja da Candelária, onde foi visitado por milhares de pessoas. No final do dia seguinte, foi transladado para João Pessoa, sendo recebido no Aeroporto de Santa Rita, por uma grande multidão, à qual fizeram-se presente o governador José Américo e diversas autoridades administrativas, eclesiásticas, legislativas, judiciárias e militares.
Na Catedral Metropolitana de João Pessoa, o corpo do Dr. Laureano ficou exposto à visitação pública até às 15:30h do segundo dia, de onde seguiu para o ‘Cemitério do Senhor da Boa Sentença’, sendo o féretro seguido por grande multidão. E, à beira de seu túmulo, falaram diversas autoridades, além do escritor Juarez Batista, diretor d‘A União’, representando a ‘Fundação Napoleão Laureano’. Um de seus últimos pedidos foi para fosse sepultado ao som da melodia ‘Liebstraum’, de Lizt.
Em julho de 1951, o Dr. Mário Kroeff, à época, diretor do Serviço Nacional do Câncer, veio à Paraíba com o objetivo de tratar com o governador José Américo, sobre a instalação, no Estado, de um núcleo do Departamento do Serviço Nacional do Câncer. Durante a referida visita, foi escolhido o terreno para a construção do ‘Hospital Napoleão Laureano’; terreno este que foi posteriormente adquirido e doado pelo governo estadual à Fundação Napoleão Laureano.

Construção do Hospital do Câncer, em João Pessoa

Lamentavelmente, o tempo foi passando e os apoios dos organismos de governo sumiram, inviabilizando a realização do sonho do grande médico paraibano, que despertou o Brasil para a luta contra a mais terrível doença da época, até parecendo que o esforço e o sofrimento do Dr. Laureano foram em vão.

Deputado Jandhuy Carneiro assinando a ata de fundação do Hospital do Câncer
Adquirido o terreno, os trabalhos foram iniciados. No entanto, o dinheiro destinado para as referidas obras, foi curto e insuficiente. E, curta também foi “a memória das autoridades” e os patéticos apelos do grande médico e mártir foram jogados ao esquecimento. O descrédito tomou conta do povo, que sentiu-se traído por seus governantes, pois, a população paraibana ainda tinha viva na memória os momentos de sofrimentos, vivos pelo incansável médico.

Hospital Napoleâo Laureano - João Pessoa
Por fim, após longos anos, as obras de construção do referido hospital foram concluídas, graças ao empenho do deputado federal Janduhy Carneiro, que conseguiu consignar no orçamento da União, uma verba para tal objetivo. Assim, a 24 de fevereiro de 1962, ocorreu a inauguração do ‘Hospital do Câncer Napoleão Laureano’, em solenidade que contou com a presença do Governador do Estado, Dr. Pedro Moreno Gondim; do Ministro da Saúde, Dr. Estácio Souto Maior; do deputado federal Jandhuy Carneiro, além de várias outras autoridades convidadas.
Napoleão Laureano, que teve sua vida como homem publico, “marcada pela serenidade de propósitos”, “pela clareza ao tratar com as pessoas, pela firmeza e brilho na defesa de suas idéias”, deve ser sempre lembrado pelo povo paraibano como um homem que em vez de pensar em si, demonstrou “a vontade de servir aos mais humildes e desafortunados”.

11 comentários:

  1. ele foi e continua sendo o grande martir. convivi com D. Marcina, esposa do Dr. Napoleao e hoje trabalho espiritualmente com ele. fui filha dele em outra encarnaçao. fico muito feliz porisso.

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    1. Desde criança sempre ouvi falar do excelente Dr.Napoleão Laureano. Ele,certa ocasião,a pedido do meu avô Elpidio Paiva,salvou minha avó e minha tia. Minha avó,Olimpia Tereza, estava em trabalho de parto(nascimento de minha tia) e a situação estava bem complicada quando o Doutor Laureano chamou as enfermeiras ali presentes e fez uma corrente de oração à Nossa Senhora das Graças para salvar mãe e filha. Graças a Deus,Maria Santíssima e ao Doutor Napoleão Laureano deu tudo certo.
      Dr. Laureano foi um médico extraordinário e um ser humano incomunal. Bendito seja seu espírito para Deus!

      Ass. Thadeu Halley Paiva de Araújo.

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    2. vc conhece Paulo de Medeiros Camargo da equipe dele

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  2. O Dr. Napoleão continua fazendo verdadeiros milagres através da bandeira de Jesus aqui em Águas de Sta. Bárbara (S.P.) através da médium Sra. Vilmã que mora na cidade de São Paulo capital com visitas quinzenais nesta cidade.

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  3. VALERIA FERREIRA DA COSTA14 de novembro de 2012 05:43

    Quero registrar aqui meus agradecimentos ao DR LAUREANO E SUA EQUIPE pelo tratamento que estão me dando ,retirei um tumor de 14cm do ovario ,estou fazendo quimioterapia e gracas ao DR LAUREANO estou em otimas condiçoes fisicas e tenho certeza que estou curada.Deixo tambem o pedido p'ra quetodos que lutam contra essa doença independente de sua crença religiosa faça o tratamento tbem,pois aVIDA é mais importante e lutar por ela é o que agrada aDEUS.

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  4. Nascido em 1940 em S. Catarina, quando adolescente aprendi uma música que fazia parte do repertório da nossa família. O que lembro é isso: "Nascido na Paraíba / pequeno Estado do Norte / dr. Napoleão Laureano / mostrou-se grande em ser forte / atacado pelo câncer / destinado à triste sorte / para o bem da humanidade / lutou contra a própria morte. Conformado com o destino / tão cristão vida findou / martirizando seu corpo / sofrendo chagas de dor / começou grande campanha / mas sozinhos nos deixou / foi estudar ciência divina / pra curar o sofredor. É isso de que me lembro. Contato: aljomen@terra.com.br

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    1. Fiquei emocionado ao relembrar esta música sobre o Dr. Laureano, meu pai falecido em 1952 amava esta pessoa, grande de coração, desprendeu se dele próprio para bem de outros necessitados, que seu espírito seja eterno e nos guie e proteja.

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    2. esqueci de mencionar que esta musica foi gravada pelos saudosos Tonico e Tinoco e chamava-se Dr. Laureano.

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  5. Quero aqui externar meu eterno agradecimento ao Dr.Laureano Napoleão, e principalmente a Jesus, pela minha cura de uma doença neurológica que os médicos não encontravam. Gastei muito dinheiro em exames sem contar muito tempo gasto nos consultórios médicos. Tomei e mudei vários medicamentos sem resultados.
    Eu já havia desistido, andando de bengala e me apoiando em minha esposa principalmente à noite quando andava.
    A enfermidade me fazia ver o chão se mover e não conseguia equilíbrio para andar normalmente.
    Fui ao Centro Espírita "O Semeador", confesso quase sem fé e saí de lá andando sem bengalas, o que me fez chorar.
    Esse lugar de muita caridade, benevolência, amor incondicional situa-se em Águas de Santa Bárbara!
    Salve Jesus que possui em sua equipe médica maravilhosa, médicos espirituais como o Dr.Napoleão!

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  6. Obrigado irmão Laureano, que Deus nosso amado pai , continue em seu infinito amor iluminando vosso espírito e de todos falangeadores do bem , que nos assistem e que por caridade nos cuidam e curam. Sei que estivestes comigo durante minha luta contra o cãncer de mama , e por vossas mãos dadivosas pude obter a graça de ser curada. Agradeço ao Pai maior e a todos protetores do Templo Espírita Tupyara que me assistiram, obrigado irmão, paz em Jesus.

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  7. Minha familia, e muitos amigos ,somos eternamente gratos ao Dr. napoleão,Por nos atender tão bem ,em Aguas de Sta. Barbara,Que Deus sempre o ilumine e aos seu companheiros! Deus lhe pague

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