Hoje é

domingo, 14 de julho de 2019


A PEDRA DO LETREIRO DA FAZENDA ANGICOS,
EM EMAS - PB


José Ozildo dos Santos
Rosélia Maria de Sousa Santos
Almair de Albuquerque Fernandes

Localizada na Fazenda Angicos e distante cerca de 2,5 km da cidade de Emas, a Pedra do Letreiro, ou melhor, o Sítio Arqueológico Angicos é o mais importante do município. Formado por duas grandes rochas arredondadas, nele é possível encontrar pinturas e gravuras rupestres, existindo, em alguns locais, sobreposição de caracteres.
Pela quantidade, pela visibilidade, contornos e definição dos caracteres, o mencionado sítio possui um grande valor arqueológico.  No painel principal, localizado cerca de 1,10 m acima do nível do solo, estende-se um conjunto de símbolos geométricos, bem definidos, que mesclam gravuras e pinturas.
Na parte superior, bem no centro do referido painel, algo chama a atenção. Trata-se de uma pintura, que esboça algo semelhante a uma cruz, envolta a diversos outros pequenos símbolos, a maioria com visibilidade comprometida.
Esse painel se desenvolve por toda a lateral da pedra suporte que foi polida em sua base, antes da confecção dos caracteres que apresentam. À semelhança do primeiro bloco, o segundo também é completamente coberto de caracteres, tanto pinturas quanto gravuras. No entanto, quando comparado com o primeiro bloco, anteriormente descrito, apresentam um maior número de pinturas e gravuras.
O sítio mostra gravações com frequência de sinais geométricos (circulares e lineares), apresentando-se mesclados no meio das pinturas rupestres, em ambos os blocos rochosos.
As gravações, em sua grande maioria, estão colocadas sobre as rochas horizontalmente, com raros casos verticais. O mesmo ocorre com as pinturas.
Todas as representações rupestres encontradas nesse sítio estão expostas às intempéries, o que vem produzindo um elevado desgaste natural. Nele, não é notada nenhuma pichação. Muitas das gravuras existentes na base, somente têm seus contornos definidos quando observadas cuidadosamente.
A técnica de produção dos capsulares do Sítio Angicos foi a gravação por polimento, executada por um instrumento aguçado, que criou cavidades uniformes e circulares, com bordas bem definidas.
As pinturas e gravuras existentes no referido município, possuem semelhança com as encontradas em outras localidades do sertão paraibano, que "ocorrem principalmente em painéis horizontais, decorando outeiros de grandes proporções quase sem deixar espaços livres".
Envoltas pelas lendas populares, tais representações rupestres foram produzidas com apurada técnica. Mas, a quem atribuir tão perfeitos detalhes em rocha tão dura como o granito? Teriam sidos produzidos por uma comunidade pré-histórica, que deixou os vestígios de sua passagem, gravados nas duras rochas?
 Seriam vestígios deixados por fenícios, como afirmou Ludovico Schwennhagen, pesquisador austríaco que visitou a Paraíba copiando nossos caracteres rupestres e promovendo palestras?
Na concepção da professora e arqueóloga Gabriela Martin: "A tendência atual entre os arqueólogos é não interpretar as representações rupestres e sim apenas descrever o que há, o que se pode ver, procedendo-se a análise mais técnicas do que interpretativas, utilizando-se critérios técnicos que valorizam saber-se como grafismos foram realizados, quais os recursos matérias empregados e, principalmente, quais os grafismos que podem ser considerados como representativos de uma tradição rupestre determinada".


O Sertão Paraibano é rico em registros rupestres. São gravuras e pinturas, que assumem formas e tamanhos diferentes e encontram-se espalhadas por quase todos os municípios da região, em serras, penhascos, cursos d'água e em outros lugares. Dissertando sobre a característica temática das gravuras rupestres existentes no nordeste brasileiro, principalmente, ao longo da cordilheira da Borborema, o historiador e professor Wanderley de Brito, afirma que: "Não sabemos que razões impulsionaram estes gravadores a decorar exaustivamente tão extensos lajedos. De composição esdrúxula, estes tapetes pétreos de gravuras nos conduzem às mais profundas reflexões sobre o universo cabalístico de nossos ancestrais e, diante do testemunho de tão complexa cultura, que se precipitou na obscuridade, nos sentimos um epifenômeno completamente destituído de referencial.

Sobre a origem dessas intrigantes pinturas existem várias teorias, inclusive, aquelas que escapam ao domínio da arqueologia e que afirmam serem tais caracteres, vestígios deixados por alienígenas que visitaram a Terra em remotas eras. Tais conjecturas não possuem embasamento científico e nem sustentação acadêmica.
A arqueóloga Gabriela Martin, que já há vários anos vem estudando as gravuras e pinturas rupestres do interior nordestino, ressalta que: "São conhecidas as dificuldades de relacionar-se registros rupestres com a cultura material, identificadora dos grupos étnicos responsáveis, pois muitas e muitas vezes, as pinturas e, ainda mais, as gravuras rupestres, especialmente no Brasil, são a única variável visível que marca a presença humana e identifica sítios arqueológicos. Muitos deles foram pintados ou gravados, sem que as condições de permanência no local ou a escolha seletiva de rochas ao longo dos cursos d’água, ofereçam condições de se obter vestígios de cultura material factíveis de relacionamento seguros com os registros".
No entanto, é oportuno ressaltar que “os primeiros conquistadores europeus ficaram perplexos ao encontrarem, pintados ou gravados nas rochas, símbolos cujo significado os índios brasileiros desconheciam e atribuíram a seres míticos sua confecção em remotíssimas eras. Aproximadamente quatro séculos após sua descoberta, certo mistério envolve ainda as inscrições rupestres brasileiras que os aborígines chamavam de itaquatiaras”. Pois, essas “itaquatiaras, virtualmente encontradas em todo o Brasil, ostentam inscrições gravadas ou pintadas e gravadas e pintada. Estão situadas às vezes em locais comodamente atingíveis ou em lugares alcantilados de acesso penosíssimo. Em algumas são vistas figurações primitivas e em pequeno número, noutras, desenhos artisticamente elaborados em grandes painéis no interior de grutas ou a céu aberto”.



Mas, quem foram os executores das gravuras e pinturas rupestres do município de Emas? A teoria mais aceita é que tais vestígios do passado teriam sido obra dos indígenas, "o que não quer dizer que tenham sido executadas, obrigatoriamente, pela população que os portugueses encontraram no Brasil no século XVI. Podem ter sido obra de grupos indígenas extintos ou que não mais habitavam o local à época do descobrimento".

Independentemente de existir ou não uma interpretação para as inúmeras pinturas e gravuras rupestres existentes no município de Emas, urge conservá-las a todo custo. Pois, Quase todos esses vestígios encontram-se a céu aberto e estão sujeitos às ações do intemperismo, sofrendo um processo contínuo de desgaste. 
A análise múltipla destas pinturas/gravuras proporcionará respostas também múltiplas, permitindo que a sociedade atual tenha um maior conhecimento da sociedade pré-histórica que realizou tais representações.

FONTE: SANTOS, José Ozildo dos; SANTOS, Rosélia Maria de Sousa; FERNANDES, Almair de Albuquerque. Aspectos Históricos, Antropológicos e Geopolíticos do Município de Emas – PB. Patos: Soluções & Consultoria e Projetos, 2011




sábado, 24 de agosto de 2013


CHATEAUBRIAND BANDEIRA DE MELO
 
N

asceu a 2 de maio de 1855, na antiga Vila de São de João do Cariri, Província da Paraíba(1). Foram seus pais o Dr. Francisco Aprígio de Vasconcelos Brandão e dona Dionísia Filadélfia da Costa Ramos. Seu pai, bacharel em Direito, ex-deputado provincial, fundou naquela vila o primeiro colégio de ensino secundário, projetando-se como um dos maiores educadores do Cariri paraibano.

Chateaubriand Bandeira de Melo

Foi com o próprio pai, que o jovem Chateaubriand aprendeu as primeiras letras e fez seus estudos básicos. Posteriormente, ingressando na Faculdade de Medicina da Bahia, diplomou-se em finais de 1880. Por algum tempo, residiu em Barbalha, Província do Ceará, onde iniciou sua clínica médica. Retornando à Paraíba, estabeleceu-se com consultório médico em Campina Grande e ali permaneceu por muito tempo como o único médico da cidade.
Médico conceituado, a princípio, utilizava o nome Chateaubriand de Vasconcelos Brandão. Anos mais tarde, juntamente com seu irmão Francisco José, incorporou ao seu prenome o ‘Bandeira de Melo’, numa referência à sua família paterna, de origem pernambucana.
Em Campina Grande, o Dr. Chatô - como era popularmente conhecido - gozava de elevado prestígio social, sempre atendendo com presteza a ricos e pobres. Figura acatadíssima, participou de muitos empreendimentos, visando o progresso da cidade ‘Rainha da Borborema’, que ensaiava seus primeiros passos, em busca do desenvolvimento social e econômico.
Médico brilhante, conseguiu ganhar fama como profissional dedicado, construindo riqueza após longos anos, atuando como o único médico do município, assistindo seus 16.000 habitantes. Amigos e correligionário do Dr. Irineu Joffily, coordenou a campanha política, quando da eleição daquele ilustre advogado e historiador, elegeu-se deputado geral, em agosto de 1889 e teve seu mandato prejudicado pela Proclamação da República.
Em 1892, convidado pelo Dr. Álvaro Machado, segundo Presidente da Paraíba no novo regime, o Dr. Chateaubriand integrou a lista oficial de candidatos à Assembleia Estadual Constituinte. Eleito, teve uma participação destacada nos trabalhos constituintes.
Prestigiadíssimo em seu partido, foi lançado como candidato à Câmara dos Deputados, antes mesmo de concluir seu mandato como deputado estadual. Assim, eleito deputado federal, representou a Paraíba na Baixa Câmara durante a legislatura de 1894-1896. Reeleito em 1900, foi vítima do processo de depuração imposto aos candidatos alvaristas, patrocinado por Epitácio Pessoa, Ministro da Justiça, no Governo Campos Sales, que, nessa condição, resolveu prestigiar a oposição, na Paraíba.
Sempre presente aos acontecimentos da história de Campina Grande, o Dr. Chatô, foi o orador escolhido para falar em nome da comunidade, quando das solenidades de inauguração da Estação Ferroviária e consequente chegada do primeiro trem àquela cidade, a 2 de outubro de 1907.
Homem íntegro e “católico por convicção, comungava todas as manhãs, tinha a devoção de Santo Antônio, promovendo a 13 de junho, todos os anos, às suas custas, festas ao seu Santo protetor" (2).
Conhecido e respeitado por seu espírito fraterno, Chateaubriand Bandeira de Melo faleceu a 29 de abril de 1936, em Campina Grande, enlutando toda a cidade, onde seu nome encontra-se imortalizado, designando uma via pública, no Bairro São José.
Casado com a senhora Amanda de Albuquerque Borborema de Melo, teve uma única filha: Maria das Neves Bandeira de Melo, que desposou o Dr. Antônio Pereira Diniz, ilustre advogado, prefeito discricionário de Campina Grande, procurador geral de justiça, que eleito deputado federal, foi mais tarde, ministro do Tribunal de Contas da União.
 

BOQUEIRÃO - PB, 24 de junho de 2001.

Notas

1. O historiador Humberto Nóbrega, em seu livro ‘As Raízes das Ciências da Saúde na Paraíba’, pag. 217, informa que o Dr. Chateaubriand Bandeira de Melo nasceu a 2 de junho de 1853.
2. NÓBREGA, Humberto. As Raízes das Ciências da Saúde na Paraíba. João Pessoa: UFPB/EDUFP, 1979, pag. 219.

domingo, 21 de julho de 2013

DOM JOSÉ TOMÁS GOMES DA SILVA

 
José Ozildo dos Santos

 
Sacerdote, educador e jornalista, nasceu a 4 de agosto de 1873, na povoação de Barriguda, atual cidade de Alexandria, à época, parte integrante do município de Martins, no Oeste potiguar. Foram seus pais o Dr. Tomás Gomes da Silva e dona Ana Constância da Silva.
Na cidade de Martins, fez seus estudos primários e vocacionado para o sacerdócio, ingressou no tradicional Seminário de Olinda, recebendo a tonsura clerical, em 1893, concedia por Dom Raimundo da Silva Brito, futuro primeiro Arcebispo de Olinda. Criada a Diocese da Paraíba, a convite de Dom Adauto de Miranda Henriques, transferiu-se para a capital paraibana e no Seminário local, reiniciou seus estudos, recebendo as ordens menores, a 28 de outubro de 1894, seguidas do subdiaconato (1895) e do diaconato (1896).
Sua ordenação sacerdotal, ocorreu a 15 de novembro de 1896, em cerimônia litúrgica realizada na Catedral de Nossa Senhora das Neves, recebendo a sagrada ordem do presbiterato das mãos de Dom Adauto, de quem tornou-se um dos principais auxiliares.  

Dom José Tomás Gomes da Silva 

Homem culto, cedo revelou-se educador dos mais talentosos. Ainda em princípios de 1897, foi nomeado professor de Língua Portuguesa, do tradicional Liceu Paraibano, integrando também o corpo docente do Seminário Episcopal da Paraíba, ali lecionando Eloqüência, Filosofia e Direito Canônico (1897-1907).
Designado secretário do Bispado (1897-1911), foi distinguido com o título de Cônego do Cabido Paraibano (1905) e posteriormente, elevado à dignidade de Monsenhor, pelo Papa Pio X (1907). Diretor Espiritual do Seminário Episcopal Paraibano, na condição de Visitador Diocesano, percorreu diversas freguesias do Rio Grande do Norte e da Paraíba.
No exercício das referidas funções, coletou donativos pecuniários, que foram destinados à formação do patrimônio da futura Diocese de Natal. Durante muito tempo, militou na imprensa e sob a sua direção, a 27 de maio de 1897, surgiu em na capital paraibana o jornal católico ‘A Imprensa’.
Homem de letras, participou da fundação do Instituto Histórico e Geográfico Paraibano (1905). A 7 de março de 1911, foi elevado ao episcopado, após ser escolhido pelo Papa Pio X, para ocupar o recém-criado Bispado de Sergipe. Sua sagração episcopal, ocorreu em solenidade realizada na Catedral de Nossa Senhora das Neves, tendo com sagrante Dom Adauto de Miranda Henriques e consagrantes, os bispos Joaquim Antônio de Almeida e Augusto Álvaro da Silva, titulares das Dioceses de Natal e Barra do Rio Grande-BA, respectivamente. Empossou-se na Diocese de Aracajú, a 4 de dezembro de 1911, num ato religioso que contou com grande número de fiéis e autoridades civis e religiosas.
No exercício de seu episcopado, fundou o Seminário Diocesano de Aracajú, criou várias paróquias e ordenou diversos sacerdotes. Durante 37 anos, ocupou o sólio sergipano, com dignidade e dedicação, falecendo no exercício de suas funções a 31 de outubro de 1948, aos 75 anos de idade. Seu corpo, foi sepultado na Catedral de Aracajú.
 

segunda-feira, 8 de julho de 2013


ERNESTO HERÁCLIO DO REGO

  
José Ozildo dos Santos

 
Pernambucano, natural da cidade de Belo Jardim, Ernesto do Rego nasceu a 31 de dezembro de 1910 e era filho do casal João Ernesto do Rego e Josefina Heráclio do Rego. Com apenas um ano de idade, transferiu-se para o atual município de Boqueirão, no Cariri paraibano, onde seu pai era um dos mais abastados proprietários rurais da região.  Ali, criou-se, somente ausentando-se para estudar em Limoeiro e posteriormente, no Recife, onde concluiu o antigo curso secundário.
Membro de uma tradicional família de políticos, que durante décadas comandou os destinos administrativos dos municípios pernambucanos de Belo Jardim e Limoeiro, Ernesto do Rego era primo do prestigiado Coronel Francisco Heráclio do Rego, que projetou-se no cenário político daquele Estado, elegendo-se deputado estadual e federal em várias legislaturas.
 
Ernesto Heráclio do Rego 
 
Após o falecimento de seu pai, Ernesto do Rego herdou uma extensa propriedade denominada ‘Fazenda Nova’, localizada no antigo território do município de Cabaceiras, que, por seu trabalho e contínua dedicação, tornou-se o melhor e mais rico imóvel rural da região.
Redemocratizado o país, ingressou na política, filiando-se à União Democrática Nacional - UDN, partido que a partir de 1947, passou a agrupar as forças de maior expressão eleitoral no Estado, elegendo-se prefeito do município de Cabaceiras, onde, ainda muito jovem, na condição de importante agropecuarista, passou a gozar de elevado prestígio pessoal.
Em 1950, elegeu-se deputado estadual. No entanto, sem vocação para os debates do plenário da Assembleia Legislativa, Ernesto do Rego não disputou sua reeleição, embora tivesse condições de lograr êxito. Preferiu limitar-se a política municipal e a 3 de outubro de 1955, conquistou nas urnas seu segundo mandado como prefeito de Cabaceiras. Naquele município, sua segunda administração foi por demais proveitosa. Com parcos recursos, determinou a abertura e a conservação de várias estradas vicinais e recuperou todos os prédios públicos existentes na sede do município, além do Grupo Escola da Vila de Barra de São Miguel.
Durante sua administração (30-11-1955 a 29-11-1959), de acordo com a nova divisão administrativa do país de 31 de dezembro de 1955, o município de Cabaceiras passou a ser composto por sete distritos: Cabaceiras (sede), Alcantil, Caturité, Riacho de Santo Antônio, Potira (atual Barra de São Miguel), Carnoió, Bodocongó e Caturité. Uma extensa área para se administrar com quase nenhum recurso, visto que naquele tempo, os municípios sobreviviam apenas das receitas arrecadadas em seu território.
Mesmo assim, sua ação administrativa fez-se presente em todo o município. E, o maior reconhecimento de seu trabalho foi a consagradora votação alcançada por José Braz do Rego, seu filho, nas eleições de 3 de outubro de 1958. Acadêmico de Direito, Zé Braz elegeu-se deputado estadual aos 22 anos de idade, após totalizar 3.132 votos, tornando-se o mais jovem membro da Assembleia Legislativa, durante a legislatura de 1959-1963.
Ainda durante sua gestão administrativa como prefeito de Cabaceiras, foi concluído o Açude Epitácio Pessoa, na antiga vila de Carnoió, atual município de Boqueirão. Naquela época, a serenidade da pacata vila foi quebrada e “a medida que se desenvolviam os trabalhos de construção do açude, aumentava a população local”.
Dirigente responsável, Ernesto do Rego participou diretamente do progresso da futura cidade de Boqueirão, dando inteiro apoio e auxiliando na busca das soluções para todos os problemas ali surgidos. No dia 11 de janeiro de 1957, o referido açude foi inaugurado pelo Presidente Juscelino Kubitschek.
Concluindo sua administração como prefeito de Cabaceiras, Ernesto do Rego centralizou sua atividade política no recém-criado município de Carnoió, emancipado a 30 de abril de 1959, para cuja conquista, foi ele o principal mentor. Ali, aos 11 de agosto de 1963, elegeu-se prefeito constitucional, empossando-se no dia 30 de novembro seguinte, num vibrante ato festivo, no qual foi registrada uma das maiores concentrações populares de toda a história de Boqueirão.
Na prefeitura municipal de Boqueirão, Ernesto do Rego teve uma atuação marcante. Em sua gestão, foi responsável pela organização administrativa do município e pela construção de várias escolas municipais, tanto na cidade como na zona rural, especialmente na sede dos distritos não servidos por grupos estaduais. Administrador probo, tornou-se uma liderança incontestável no município de Boqueirão. Reeleito prefeito para mais outros dois mandatos, administrou aquela comuna paraibana ainda nos períodos de 31-01-1973 a 30-01-1977 e de 31-01-1983 a 30-12-1988.
Durante trinta anos, Ernesto do Rego comandou os destinos políticos de Boqueirão, sempre elegendo seus candidatos a prefeito e a maioria dos membros do poder legislativo. Homem de grande visão, foi responsável pela realização das principais obras de cunha administrativo, educacional e social no município, sendo digno de registro a construção e instalação da Maternidade Edite Lucena do Rejo, hoje, mantida pela Associação de Proteção à Maternidade e à Infância de Boqueirão, além da construção dos edifícios onde funciona a sede do governo municipal e o Clube Recreativo, entre outros.
Ernesto do Rego, durante toda sua vida, primou pela lealdade aos amigos, que considerava-os preciosos. Homem de posições firmes e atitudes fortes, jamais deixou de atender uma reivindicação justa, mesmo que lhe fosse formulado por um adversário. Político sério, não era homem de pedir. Em 1965, com a instituição do bipartidarismo, filiou-se aos quadros da Aliança Renovadora Nacional - ARENA, pela qual elegeu-se prefeito de Boqueirão, no pleito de 15 de novembro de 1972. Após a reforma partidária de 1979, ingressou no Partido Democrático Social - PDS, que garantiu legenda para sua terceira eleição à prefeitura de Boqueirão, no pleito de 15 de novembro de 1982.
Os últimos anos de sua vida, Ernesto do Rego permaneceu afastado da política. Com a saúde abalada, foi submetido a tratamento médico, por vários meses, no Recife, onde faleceu a 13 de março de 1999, aos 89 anos de idade incompletos. De seu casamento com a senhora Edite Lucena do Rego, nasceram três filhos, dos quais, alcançou projeção e destaque, o já citado Dr. José Braz do Rego, eleito deputado estadual por três legislaturas consecutivas, falecido prematuramente quando exercia as funções de Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado.
Como político e cidadão, Ernesto Heráclio do Rego contribuiu muito para o desenvolvimento da cidade de Boqueirão, a qual amou e dedicou sua vida durante três décadas, na condução de seus destinos políticos e na busca de soluções aos mais variados problemas enfrentados por seus munícipes. Lamentavelmente, por um descuido da história e devidos aos vícios da política, seu nome, ali, sequer é lembrado, designando o mais simples logradouro público. Talvez, no dia que a gratidão tornar-se um tesouro de todos, o poder público e o povo de Boqueirão, preste uma homenagem sincera a esse grande líder, evitando que as gerações do futuro, sejam contagiadas pela mesquinhez do presente. 
 

Boqueirão - PB, 30 de maio de 2001.

 

segunda-feira, 24 de junho de 2013

UM CASO DE ANTROPOFAGIA EM POMBAL (1877)


José Ozildo dos Santos
1. Intróito

A seca de 1877 castigou o homem sertanejo, expulsando-o de sua terra e obrigando-o a procurar abrigo no litoral. Lavas de retirantes arrastavam-se em longas caminhadas seus corpos esqueléticos e quase sem vidas.
Em termos de intensidade, duração, extensão ou mortalidade, aquela longa estiagem não apresentou alterações em relação às demais secas. No entanto, contribuiu para mudar o imaginário da população urbana e principalmente das autoridades, pois foi a partir daquele triste ano de 1877 que a seca no nordeste passou a ser vista como um fenômeno de caráter social.
Por outro lado, os acontecimentos registrados na história da cidade de Pombal, durante aquele longo e doloroso período de estiagem, abalaram a população local e fizeram revelar em sua principal protagonista, uma prática que a civilização há muito tenta esquecer: a antropofagia.

2. O acontecimento

Em 1877, a cidade de Pombal, no sertão paraibano, mal tinha se refeito dos efeitos do cólera morbus, quando sobreveio uma grande seca. Durante aquela seca, que entrou para a história como uma das mais devoradoras, registrou-se um caso de antropofagia na cidade: uma mulher matou uma criança e comeu-lhe a carne para não morrer de fome.
Os autos do processo referentes a esse hediondo crime encontram-se arquivados no Cartório do 1º Ofício, da cidade de Pombal (1). A autora do crime, conhecida por Donária dos Anjos, havia chegado à cidade de Pombal, na condição de retirante.
O referido crime ocorreu no dia 27 de março de 1877 e indignou a população local. Na época, o jornal ‘O Publicador’(1), editado na capital paraibana, em sua edição do dia 24 de abril de 1877, noticiou que “a 27 de Março próximo findo a retirante Donária dos Anjos encontrou na casa do mercado da cidade de Pombal a menor Maria de cinco annos de idade, levou-a com o maior carinho para sua casa, próxima ao cemitério; ahi chegando, decapitou a mesma menor, enterrou a cabeça e comeu a carne do corpo da sua victima! Presa, Donária confessou este horroroso crime. Está sendo processada pelas autoridades da cidade”(2).
O promotor público e o delegado de polícia da cidade de Pombal, abriram rigoroso inquérito a fim de apurar a responsabilidade do ato criminal e de pura selvageria. Nos referidos autos processuais, entre outras coisas, lê-se: “O promotor público da Comarca de Pombal, usando da fa­culdade que lhe confere a Lei, vem perante V. Sa., denunciar a Donária dos Anjos, pelo fato que passa a expor: Chegando a denunciada, com sua vítima, em seu antro, matou-a por meio de sufocação, decepou-lhe a cabeça, reduziu o corpo a diver­sos pedaços de carne, cozinhou parte destes, que comeu, guar­dou outros em uma moita de onde foram devorados pelos cães, e num riacho que passa a pouca distância do Cemitério, enter­rou, à sombra de uma oiticica, a cabeça de sua desditosa víti­ma, que foi exumada” (3).
Formulada a denúncia, o digno representante do Ministério Publico encaminhou os autos ao juiz de direito da Comarca, Dr. Antônio Muniz Sodré de Aragão (4). Este, cumprindo as determinações do Código Criminal, em vigor na época, procedeu o interrogatório da acusada, que, declarou “que era natural do termo de Piancó e ali residia, mas que se achava nesta cidade [Pombal], quando foi presa, para onde se tinha retirada por causa da seca. Respondeu ter 18 anos e que cometeu o crime oprimida pela grande fome que a afligia, e que se achava arrependida de o ter praticado” (5).
Donária dos Anjos foi recolhida à histórica Cadeia de Pombal (6), onde amargou nas grades por um longo período em sua infeliz existência. A história não registra a data em que aquela pobre mulher foi posta em liberdade.
Na época em que ocorreu o fato, o juiz da Comarca encaminhou um oficio à Câmara Municipal, “dando conhecimento do estado precário em que se acha a popula­ção local, atemorizada pela fome”, cobrando do poder público municipal, providências que pudessem amenizar a situação (7).
A seca de 1877 reduziu todos à miséria. Lavras de retirantes deixaram o sertão e seguiram para o litoral, em busca de sobrevivência. No entanto, muitos não chegaram ao destino esperado, vencidos pela fome e pela seca, ficaram pelo caminho. E, mortos, tornaram-se comida para as aves de rapinas.
Voltando ao caso de antropofagia ocorrido em Pombal, crê-se, que a menina Maria, de apenas 5 anos de idade, estava procurando algo para comer, quando foi levada da frente à Casa do Mercado por Donária dos Anjos para o local do crime, com a promessa de receber algum alimento para saciar a sua fome. Quanto à Donária dos Anjos, “debilitada e com sintomas de loucura, devido às conseqüências dos infelizes anos de fome que a afligiu, passou a viver emocionalmente perturbada pelo remorso do horrendo crime que praticou. Depois, com o tempo, foi solta, momento em que retornou ao município da sua terra natal, onde naturalmente veio a falecer, marcada pelo resto da vida pela barbárie cometida”(8).
Protagonista de uma história macabra, Donária dos Anjos viveu seus últimos dias de vida num verdadeiro isolamento social. Dela, poucos se aproximavam e muitos a evitavam. Louca, ignorada por seus conterrâneos, foi encontrada morta no chão de um casebre, nos arredores de Piancó e sepultada sem nenhum cortejo. No entanto, seu nome ficou na história, assinalando uma prática incomum no mundo moderno.

3. As controvérsias

O crime bárbaro praticado por Donária dos Anjos, apesar ter sido no final do século XIX e chocado a sociedade paraibana da época, foi, em parte, esquecido pela história oficial. A tradição popular tratou de dá-lhe várias versões, sem, contudo, perder o sentido primitivo.
Uma das desfigurações desta triste história pode ser vista nuns versos colhidos e divulgados por José Américo de Almeida, atribuídos aos poetas populares Nicandro Nunes da Costa e Bernardo Nogueira, que assim narram os acontecimentos de 1877, em Pombal:

Foi-se a abelha, foi-se a caça,
A quem se pede nega,
Não há ceifa, não há rega...
Como é que o povo passa?
Do cabrum há pouca raça,
Uma galinha não há
Como o povo viverá
Nesta terra? E os animais?
Mas, se Deus sabe o que faz,
Deus o remédio dará.

Xiquexique, mucunã,
Raiz de imbu e colé,
Feijão brabo, catolé,
Macambira, imbiratã,
Do pau pedra a carimã,
A paneira e o murrão,
Maniçoba e gordião,
Comendo isso todo o dia,
Incha e causa hidropisia,
Foge, povo do sertão!
A fome foi tão canina
Que, se mais saber tu queres,
No Pombal duas mulheres
Comeram uma menina (9).

Dramatizando o fato vivido por Donária dos Anjos e pela menina Maria, os poetas populares Nicandro Nunes da Costa e Bernardo Nogueira erroneamente, afirmam que o referido crime foi praticado por duas mulheres. No entanto, ‘pintam’ a fome de forma canina e devoradora.
Nicandro Nunes da Costa foi considerado “o príncipe dos poetas populares do seu tempo” (10). Nascido na Vila de Teixeira-PB, estava no auge de sua carreira quando sobreveio a seca de 1877. O mesmo também se pode dizer de Bernardo Nogueira, que também nasceu em Teixeira, no ano de 1832.
Ambos foram contemporâneos dos fatos ocorridos em Pombal e viveram numa cidade localizada a poucos quilômetros do palco do triste infausto. Entretanto, é estranho, que os mesmos apresentem uma versão ambígua para a referida história.
No entanto, não somente Nicandro e Nogueira erraram ao registrarem o fato protagonizado por Donária dos Anjos. O historiador Horácio de Almeida (11) também incorreu em erro diverso: gravou o nome da autora do crime como Dionísia dos Anjos e fixou como palco da tragédia o município de Patos. Talvez, por ter ocorrido naquela cidade o assassinato de uma outra inocente, chamada Francisca, cuja autoria do crime é atribuída ao casal Absalão e Domila Emerenciano.
Os acontecimentos de Patos foram registrados em julho de 1923. Portanto, 46 anos após o ato de antropofagia praticado por Donária dos Anjos. Em Patos, a devoção popular fez também erigir uma cruz à menina Francisca, posta num local ermo, no Sítio Trapiá, onde o corpo daquela criança foi encontrado. Posteriormente, ali foi construída uma capela.
O referido local era, na primeira metade do século passado, conhecido com ‘A Cruz da Menina’, da beira da estrada. Hoje, sedia um importante parque religioso, considerado um dos maiores do Nordeste (12).
Nota-se, que em ambas as cidades, construiu-se uma ‘cruz da menina’. Assim, crê-se que foi isto, o fato que levou o historiador Horácio de Almeida, em parte, ao erro.
Em 1898, o romancista e folclorista Rodolfo Teófilo lançou seu magnífico livro ‘Os Brilhantes’ (13), onde romanceia a saga de Jesuíno Brilhante, o ‘cangaceiro romântico’, que entrou para a história do Rio Grande do Norte como o ‘Robin Hood dos sertões’, por roubar dos ricos e destruir o fruto de seus atos com os pobres, durante a seca de 1877.
No referido livro, aquele escritor cearense também reconta o ato hediondo praticado por Donária dos Anjos, embora que de forma substancial, sem identificar seus personagens. Mas, ligando-o aos sofrimentos do povo nordestino, registrados durante aquela estiagem, que ficou conhecida como a ‘seca dos dois sete’. Outras versões existem. No entanto, não são dignas de registros.

4. A cruz da menina como marco religioso na cidade de Pombal

Em Pombal, a Cruz da Menina encontra-se localizada nas proximidades da antiga Estação do Trem e do Cemitério Nossa Senhora do Carmo, no Bairro da Estação, distando cerca de 750 metros da histórica Matriz de Nossa Senhora do Rosário. Conta-se que “o crime ocorreu na localidade onde está erguido o Pedestal, próximo de um riacho que antigamente passava ali, (hoje servindo como galeria de captação de águas poluídas), se destacando em uma de suas margens, frondosa árvore de oiticica, na qual ficou ‘arranchada’ e depois foi presa à desditosa Donária dos Anjos” (14).

 A Cruz da Menina, em Pombal  (2007)
A Cruz da Menina, em Pombal (2012)

No local onde sepultaram a ‘criança mártir’, os moradores da antiga cidade de Pombal amontoaram pedras e colocaram uma cruz, num sentimento de fé cristã. Com o passar dos tempos, o local foi se tornando um ponto de convergência de fiéis. A tradição popular registra que várias foram as preces alcançadas e isto fez do local um marco de religiosidade.
Em 1948, a senhora Dalva Carneiro Arnaud - irmã do futuro senador Ruy Carneiro - ­fez uma promessa à Menina Mártir. Cinco dias, depois alcançou a graça desejada. Sensibilizada e agradecida, mandou demolir o amontoado de pedras e construir um pedestal em alvenaria com uma cruz de madeira no alto.
A referida construção, foi executada no exato local onde foram enterrados os restos mortais da menina Maria, anteriormente indicado pelas pedras que vinham sendo amontoadas por gerações, desde 1877.
Entretanto, a cruz de madeira, exposta ao desgaste do tempo, vêm sendo substituída ao longo dos anos. Atualmente, “está a Cruz da Menina em uma área de aproximadamente 150 m², circundada por uma calçada em paralelepípedos, um espaço livre, sem nenhuma proteção de acesso. No entorno do Pedestal existem pequenos canteiros de flores e árvores plantadas, em desenvolvimento. Em memória da Menina, ainda não existe uma placa que registre um pouco da sua história ou a data do trágico fato ocorrido (15).
O pedestal da ‘Cruz da Menina’, construído em 1948, ainda conserva suas características originais. Em sua base, os fiéis depositarem ramalhetes de flores e acendem velas, na esperança de suas pressas serem atendidas.
O acesso a ‘Cruz da Menina’ é bom, pois a mesma encontra-se dentro do perímetro urbano. No entanto, o local ainda não possui uma capela. Esta, se existisse, proporcionaria a celebração de atos litúrgicos, fato, que faria com que o local tornar-se um ponto turístico, não mais se limitando a um simples marco religioso.

5. A religiosidade em torno da ‘Cruz da Menina’, em Pombal-pb

Pouco tempo depois do martírio da pobre menina Maria, o local onde foi sepultado o que dela restou, tornou-se um marco da religiosidade do povo de Pombal. Em 1879, os efeitos da seca iniciada dois anos antes, ainda poderiam ser notados.
Registra a história local, que “fome, miséria, morte, o imobilismo das autoridades públicas que nada ofereciam para mitigar a situação, fez um grupo de devotos se voltarem para os poderes dos céus. Contam que esse grupo saiu da Igreja em procissão noturna, com velas acesas, rezando, cantando benditos e ladainhas pelos armados da cidade, depois tomaram os caminhos na direção da Cruz da Menina, em solicitude para a volta das chuvas de inverno. Lá chegando todos se ajoelharam, momento em que rezavam e pediam a intercessão da Menina Maria para minimizar os efeitos da trágica seca, que se alastrava por todo o sertão (16).
O episódio narrado acima, demonstra que o local onde hoje ergue-se a ‘Cruz da Menina’ tornou-se um marco religioso, ainda durante a grande seca de 1877-1879. E, a medida que as preces iam sendo alcançadas, o mesmo foi ganhando importância religiosa.
Quando se formou a primeira romaria em torno da ‘Cruz da Menina’, “era uma noite escura do final de dezembro de 1879, surpreendentemente, em meio às preces iniciou-se uma forte chuva com relâmpagos e trovões, apagando todas as velas, o que não impediu dos devotos continuarem contritos em suas preces, naquele instante, já uns impressionados com o fenômeno, outros ligeiramente assustados, alguns emocionados, chorando, sem entender aquela bendita chuva repentina. As águas caindo do céu, em meio aos relâmpagos e trovoadas, traziam o vento noturno de longe, que passava forte entre galhos e folhas de uma frondosa oiticica ali próxima, balançando a grande árvore, como quem dando uma resposta às preces dos piedosos religiosos, ao mesmo tempo, parecendo anunciar o prenúncio de um bom inverno, o que realmente aconteceu a partir do mês seguinte, janeiro de 1880" (17).
Vendo a chuva cair de forma surpreendente, os fiéis passaram a dizer que estavam presenciando um milagre. E que a pobre menina mártir havia intercedido junto ao Criador, por todos os que ali rezavam, pedindo chuva para molhar a terra e trazer de volta a vida para o sertão. Nesse momento, “alguém interpretou as águas da chuva como sendo lágrimas do sacrifício da Menina Maria, os relâmpagos, a luz de um novo amanhecer, os trovões, o despertar de todas as esperanças, sem os sofrimentos vividos até então” (18).
A manifestação popular realizada ao pé da ‘Cruz da Menina’, em finais de 1879, assinala a primeira graça coletiva alcançada por aqueles que acreditam na criança, que de forma trágica, havia perdido a sua vida, e que pelas circunstâncias de sua morte, tornou-se um símbolo de renovação da fé. Em janeiro de 1880, as chuvas voltaram a cair na região, em grande quantidade, enchendo, em pouco tempo, o sertão de vida.
Assim, nasceu o fenômeno religioso em torno da ‘Cruz da Menina’, na cidade de Pombal, no sertão paraibano. Ao longo dos anos, outros fatos foram contados como milagres e atribuídos à menina martirizada em 1877. Vários depoimentos já foram registrados. Atualmente, a ‘Cruz da Menina Mártir ’é diariamente visitada por devotos, pessoas que vem de diferentes cidades da Paraíba e de estados vizinhos, em busca milagres.
Chegando ao local, os devotos colocam-se de joelhos ao pé da Cruz e rezam agradecendo pelas graças recebidas. Outros, nada pedem, apenas visitam o lugar por um sentimento de compaixão, fé e sentimento cristão. Quase 130 anos após o registro da primeira graça alcançada, a ‘Cruz da Menina’ continua erguida, como um símbolo representativo da fé de um povo, renovada a cada prece.
Na atualidade, a ‘Cruz da Menina Maria’ tem uma grande importância histórica e religiosa para o município de Pombal. Ela é um relicário que deve ser preservado, ampliado e modernizado, para consolidar-se como mais um ponto do turístico religioso, no sertão paraibano.
Lamentavelmente, a ‘Cruz da Menina’, de Pombal, ainda não conquistou a atenção dos investimentos públicos e privados, no que diz respeito a sua transformação em parque religioso, inserido-se no roteiro turístico do Estado. Esta é uma prece que ainda não foi alcançada pelos devotos e fiéis da ‘Menina Mártir’.

NOTAS
1. Jornal diário, ‘O Publicador’ tinha como redator o talentoso padre Lindolfo Correia e circulou na capital paraibana, no período de 1862 a 1886 (MARTINS, Eduardo. Primeiro jornal paraibano (apontamentos históricos). João Pessoa: A União, 1976, pág. 29.
2. O Publicador’, Cidade da Parahyba, edição de 24 de abril de 1877.
3. SEIXAS, Wilson Nóbrega. Op. cit., p. 416.
4. Baiano, diplomado pela Faculdade de Direito do Recife, na turma de 1860 (BEVILÁQUA, Clóvis. História da faculdade de direito do Recife. Brasília: INL/MEC/CFC, 1977.
5. SEIXAS, Wilson Nóbrega. Op. cit., pág. 417.
6. Alicerçada no ano de 1848, a Cadeira de Pombal ficou famosa por concentrar presos perigosos, a exemplo dos cangaceiros ‘Rio Preto’, Chico Pereira e Lucas Brilhante, irmão do célebre Jesuíno Brilhante. Hoje, a velha cadeia, é sede da ‘Casa da Cultura’, “completamente esquecida, deteriorada, inexistente para sua finalidade a que foi criada” (ARAÚJO NETO, José Tavares de; ABRANTES, Verneck. A cadeia velha de Pombal (Manifesto em defesa do patrimônio histórico). Pombal: Andyara, 2004. pág. 7.
7. SEIXAS, Wilson Nóbrega. Op. cit., pág. 417.
8. ABRANTES, Verneck. A cruz da menina de Pombal. Coleção Nossa história, nossa gente, vol. 2Pombal: Martins, 2006, pág. 5.
9. ALMEIDA, José Américo de. A Paraíba e seus problemas. 3 ed. João Pessoa: SEC/DCG/A União, 1980, p. 127.
10. BATISTA, Francisco das Chagas. Cantadores e poetas populares. 2 ed. João Pessoa: SEC/CEC/A União, 1997, pág. 15.
11. ALMEIDA, Horácio de. Brejo de Areia (Memórias de um município). Rio de Janeiro: Ministério da Educação e Cultura/Serviço de Documentação, 1957, pág. 87.
12. SANTOS, José Ozildo dos. Patos: Uma cidade centenária. In: A Voz do Povo, Patos-PB, edição especial, outubro de 2003, pág. 8-9.
13. TEÓFILO, Rodolfo. Os Brilhantes. 2 ed. São Paulo/Rio de Janeiro: Melhoramentos/INL/MEC, 1972.
14. ABRANTES, Verneck. A cruz da menina de Pombal. Coleção Nossa história, nossa gente, vol. 2. Pombal: Martins, 2006, p. 8.
15. Idem, idem.
16. ABRANTES, Verneck. Op. cit., pág. 5.
17. ABRANTES, Verneck. Op. cit., pág. 6.
18. Idem, idem.2. Jornal diário, ‘O Publicador’ tinha como redator o talentoso padre Lindolfo Correia e circulou na capital paraibana, no período de 1862 a 1886 (MARTINS, Eduardo. Primeiro jornal paraibano (apontamentos históricos). João Pessoa: A União, 1976, pág. 29.
2. O Publicador’, Cidade da Parahyba, edição de 24 de abril de 1877.
3. SEIXAS, Wilson Nóbrega. Op. cit., p. 416.
4. Baiano, diplomado pela Faculdade de Direito do Recife, na turma de 1860 (BEVILÁQUA, Clóvis. História da faculdade de direito do Recife. Brasília: INL/MEC/CFC, 1977.
5. SEIXAS, Wilson Nóbrega. Op. cit., pág. 417.
6. Alicerçada no ano de 1848, a Cadeira de Pombal ficou famosa por concentrar presos perigosos, a exemplo dos cangaceiros ‘Rio Preto’, Chico Pereira e Lucas Brilhante, irmão do célebre Jesuíno Brilhante. Hoje, a velha cadeia, é sede da ‘Casa da Cultura’, “completamente esquecida, deteriorada, inexistente para sua finalidade a que foi criada” (ARAÚJO NETO, José Tavares de; ABRANTES, Verneck. A cadeia velha de Pombal (Manifesto em defesa do patrimônio histórico). Pombal: Andyara, 2004. pág. 7.
7. SEIXAS, Wilson Nóbrega. Op. cit., pág. 417.
8. ABRANTES, Verneck. A cruz da menina de Pombal. Coleção Nossa história, nossa gente, vol. 2Pombal: Martins, 2006, pág. 5.
9. ALMEIDA, José Américo de. A Paraíba e seus problemas. 3 ed. João Pessoa: SEC/DCG/A União, 1980, p. 127.
10. BATISTA, Francisco das Chagas. Cantadores e poetas populares. 2 ed. João Pessoa: SEC/CEC/A União, 1997, pág. 15.
11. ALMEIDA, Horácio de. Brejo de Areia (Memórias de um município). Rio de Janeiro: Ministério da Educação e Cultura/Serviço de Documentação, 1957, pág. 87.
12. SANTOS, José Ozildo dos. Patos: Uma cidade centenária. In: A Voz do Povo, Patos-PB, edição especial, outubro de 2003, pág.
13. TEÓFILO, Rodolfo. Os Brilhantes. 2 ed. São Paulo/Rio de Janeiro: Melhoramentos/INL/MEC, 1972.
14. ABRANTES, Verneck. A cruz da menina de Pombal. Coleção Nossa história, nossa gente, vol. 2. Pombal: Martins, 2006, p. 8.
15. Idem, idem.
16. ABRANTES, Verneck. Op. cit., pág. 5.
17. ABRANTES, Verneck. Op. cit., pág. 6.
18. Idem, idem.

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